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bjs

sábado, 23 de junho de 2007

O dia em que a Terra parou.

Há 40 anos, os Beatles lançavam seu oitavo Lp.
Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi uma opção aos Beatles por quem as fãs arrancavam os cabelos e perdiam a voz! Eles estavam cheios dessa histeria.
Depois de Revolver, que já trouxe ares de mudança e é considerado por muitos o melhor disco dos Fab 4, Sgt Pepper’s levou a arte ao máximo da experimentação.
Quando antes eles se arriscavam apenas na música, esse LP era conceitual na capa, no modo de ouvir (feito pra ser ouvido de uma só vez, sem intervalos entre faixas), nas propostas e também na música.
Numa época e que o mundo vivia movimentos isolados - morria Che Guevara, Gabriel Garcia Marques lançava seus 100 anos de Solidão, e o Brasil aprovava (garganta abaixo) a Constituição da Ditadura com o cerceamento de todos os meios de comunicação - eles colocaram cores na paleta do futuro.
John, Paul, George e Ringo voltaram de uma turnê cheia de dores de cabeça. Em Tóquio, eles não conseguiram se apresentar porque o esquema de segurança era tão maluco que os deixou presos no Hotel na hora do show... De lá, seguiram para as Filipinas pra descobrir que foram contratados, não para cantar, mas para participar de uma recepção da primeira dama Imelda Marcos. É claro que eles não apareceram na festinha da rainha dos sapatos, mas é uma dica do quanto a idolatria pessoal tinha cansado nossos heróis.
De lá, após duas semanas de descanso, seguiram para os EUA para, segundo George “serem massacrados”. John havia feito um pouco antes ao Jornal Evening Standard a célebre menção á popularidade deles comparada à de Cristo. Na verdade, ele estava fazendo uma crítica à idolatria exagerada aos Beatles, mas é claro que a interpretação foi oposta!!!!! (Pra você ver que não é só o que você diz que é distorcido... isso faz escola há anos!)
Depois de tanta confusão, George cansado, resolve abandonar a banda. Com a notícia, os quatro se reunem e resolvem o impasse não fazendo mais apresentações ao vivo. O que diminuía em muito a pressão e mantinha o time jogando “tranquilo” e unido!
Ainda assim, criaram uma banda alter ego, a Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band.
Duas faixas importantes acabaram ficando de fora: Penny Lane e Strawberry Fields (haviam saído em single e na época não se vendia duas vezes a mesma coisa...).
John lamentou por muito tempo a inclusão de Good Morning Good Mornig, segundo ele uma das maiores porcarias que ele compusera na vida!
Era a época das drogas recreativas. John negou até a morte que Lucy In The Sky with Diamonds tenha sido uma alusão ao LSD, que tratava-se de um desenho que Julian (seu filho) fizera de uma amiga de escola. Mas a canção é completamente lisérgica e está aí pra quem quiser ouvir e tirar suas próprias conclusões!
Minhas preferidas são She’s Leaving Home com sua introdução celeste (sem bateria, apenas cordas), When I’m Sixty Four e A Day in the Life.
O introdução instrumental para A Day in the Life é impensável, a orquestra, o melotron, os sons indianos... numa gravação de apenas duas faixas de quatro canais!
Uma nota triste do álbum é que dos quatro, apenas dois chegaram aos sessenta e quatro anos, cantados e planejados em When I’m Sixty Four, já que John foi morto aos quarenta e George morreu com cinqüenta e oito. Paul tem hoje sessenta e cinco e Ringo, sessenta e sete (a mesma idade que John teria se Chapman tivesse tomado seus remédios naquele dia).
Na capa,os quatro fotografados de uniformes militares multi coloridos cercados da maior salada social da história! Marlene Dietrich, Bob Dylan, Freud, Aleister Crowley, Marylin Monroe, Edgar Alan Poe, Oscar Wilde, Karl Marx, Marlon Brando, Lenny Bruce, Stuars Sutcliffe (antigo baixista da banda) entre outras personalidades que só com os Beatles foram capazes de juntar.
Diz a lenda que John insistiu para que Hitler e Jesus Cristo fossem incluídos na capa, mas não foi ouvido.
O disco recebeu 4 Grammys (melhor álbum, capa, álbum de música contemporânea e engenharia de som), mas curiosamente perdeu a disputa de introdução instrumental de A Day in the Life para a caretíssima Strangers in the Night.
O mundo não estava assim tão preparado para a Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Pagando a língua... ou Príncipes.


Eu (com minha implicância habitual) já disse e redisse que as bandinhas atuais de pop rock são todas iguais. O som é mesmo bem parecido, já fiz matérias sobre o Cpm22 e os Detonautas onde até as fãs se confundiam.
Mas o negócio é que há um mês (mais ou menos) atrás, fui com os meninos do NX pra Botucatú cobrir um show, e o agito do backstage pra uma matéria da revista.
Eu não conhecia muito da banda, mas meus filhos são fanáticos (é claaaro que eu levei as crianças...).
O show foi o que se esperava, a meninada arrancando os cabelos e gritando até perder a voz.
Depois, quando fomos encontrar os meninos eu me apaixonei.
Quem agüenta uma meninada assim educada?
O Di (vocal) é um querido, já tinha lido meu livro dos Beatles e ficou hooras conversando comigo. O Gee (que é o melhor amigo dele há séculos e faz backing vocals) ficou com o Gregório tomando Toddynho e falando bobagens.
Trocamos emails e voltamos pra casa no dia seguinte.
Desde então, o Gee manda emails super bonitinhos, contando as novidades e pedindo palpites. Eles são amigos, são meninos normais e ponderados.
Ontem o Gee comentou sobre um livro e uma briga no Rock e Gol, com tanta inteligência, sensatez e bom humor que me deixou na obrigação de agradecer aos ídolos adolescentes que têm consciência do quanto influem nos nossos pobres adolescentes desmiolados.
Pronto Mr. Rocha, não disse que ia escrever?

É o caralho a gente se impressionar assim com gente educada e atenciosa, mas como- cada vez mais - isso virou item opcional; celebremos os salvadores da pátria.

Falando em príncipes, aproveito pra citar o Sr Rogélio T. O grande príncipe querido, amado e idolatrado, salve salve da história da minha vida.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Cookieliris


Ele sempre foi o melhor namorado do mundo.
Me deu um patinete motorizado de aniversário e ficava me esperando andar pelas ruas do Brooklin naquela velocidade terminal que a patona aqui é capaz.
Quando casamos, ele foi fazer algum trabalho na 25 de março e voltou feliz da vida, com o carro lotado de edredons, lençóis e toalhas (tudo descombinado; meu enxoval virou uma zona).
Na lua de mel, ele não me deixou descer pra ver as cataratas porque cismou que eu poderia pegar malária com tantos mosquitos; e à noite, ligou pra minha amiga - que me obrigou a comprar uma camisola escandalosa-, só pra agradecer.
Quando eu engravidei da Sophia ele quase morreu de alegria (e eu de susto) e aturou nove meses de chiliques, choros, ataques e vontades no maior bom humor.
Bordou um quadrinho de ponto cruz (duas meadas de linha pra um quadrinho pequeno) pra me fazer companhia quando eu tava de repouso em casa.
Na hora do parto, apareceu no centro cirúrgico, todo paramentado pra irradiar cada coisa que o obstetra fazia (”putz, cookieliris, tem que ver que legal, quanto sangue..”).
Se eu estou com frio nos pés, ele coloca as meias em mim.
Se eu estou de mau humor, ele deita do meu lado e fica falando bobagens e cantando (é o pior cantor do mundo) pra me animar.
Quando os gatos das crianças morreram envenenados, ele trouxe uma caixa com um gatinho novo (feio que doía) pra gente parar de chorar.
Ele adora deitar na cama sob os cobertores e ficar batendo as pernas.
Ele tem o vocabulário arcaico mais imprevisível do planeta.
Ele solta as tiradas mais engraçadas do mundo.
Ele nunca sabe se os episódios dos seriados são inéditos ou repetidos.
Um dia eu briguei com ele e ele fez arroz, olhando a receita no livro Dona Benta.
Ele tem ciúmes de todos os meus amigos, e implica com todos (até conhecer e ficar tão amigo quanto eu).
Ele anda com meus pais pra cima e pra baixo com a maior paciência do mundo.
Meu avô chamava ele de neto, e era pra ele que ligava sempre que aprontava alguma (e ele era danado).
Dorme sempre abraçado comigo e é muuuito gostoso!
Ele é o grande motivo de eu ser assim. Para o bem ou para o mal.
E é a melhor coisa da minha vida.
É o Caio.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Eu sempre quis ser escritora.


Talvez porque sempre me pareceu fácil escrever. Você tem a idéia – um milhão delas, pra quem pensa na velocidade doente que eu utilizo- e passa pro papel com um pouco de estilo.
Esse pouco de estilo é que me diferencia do Hemingway ou do Caio Fernando de Abreu.
Enfim, quando você passou dos quarenta anos , as idéias e as vontades adquirem um gosto urgente que logo vira desgosto e frustração.
OK, mais uma coisa que eu não fiz.
Não virei cantora, não fui à Europa de mochila, não fiquei famosa nem rica, nem emagreci.
Aí já começa aquela preguiiiiça que me persegue sempre que eu imagino que o ponto de partida está bem na minha frente.
Você já sonhou com a imobilidade? Sabe aquele desespero (a-do-ro essa palavra) que dá, você querer levantar, sair correndo e não poder se mover? Aquele peso hipnótico aquela letargia sem controle?
Tenho um problema sério com pontos de partida.
Aliás, se for considerar mesmo a questão dos meus problemas sérios, vou sair do Word e abrir uma planilha no Excel.
Enfim, ainda podia escrever alguma coisa, mas não me acontece nada de espetacular. Como não acontece com você também.
Por outro lado as grandes desgraças também atravessam a rua antes de chegar à minha casa.
Não vamos reclamar.
Se a gente consegue amar alguém e se casa com essa pessoa, o tempo passa e você já começa a desconfiar. Eu tenho quase vinte anos de casada e ainda me pergunto se eu sou feliz porque sou idiota e não tenho nenhuma perspectiva amorosa inovadora que meus muitos quilos não afugentem.
Existe ainda a possibilidade de ser feliz porque ele é legal e me ama (mas ai como é medíocre a crença simples na felicidade).
Eu tenho uma amiga que não casou e acha que isso justifica todas as prescrições de antidepressivos que ela possa ingerir. Ela mora bem, tem uma filha ótima e um emprego chaaaato, mas que paga muito bem e tem um plano de benefícios capaz de abranger as cáries do zelador do prédio dela.
Mas ela sofre, e definha. Uma coisa impressionante.
Porque a gente nunca está satisfeita?
Eu morro de medo de dar uma virada e acabar sem meu santo e sólido e seguro casamento.
Mas isso é porque eu sou louca, venho de uma família de loucos infantis, que não amadurecem e acabam todos sós.
Minha outra amiga que é a pessoa mais sábia do mundo (e para meu total espanto, ainda assim é minha amiga) diz que eu sou louca mesmo, mas que sou diferente dos meus lunáticos familiares e que esse medo é bobagem.
E minha outra amiga que fez um monte (aquele) das coisas que eu não fiz, acabou um casamento infeliz que vinha se arrastando, mas que qualquer uma manteria tranquilamente de tão confortável que era. Quando ela me disse, pela primeira vez, que estava pensando em se separar, eu fui contra, achei precipitado (tenho montes de amigas que se separaram num rompante, e agora estão ainda mais infelizes).
Mas a coisa tomou forma, e ela foi se soltando, e agora eu olho e acho tão especial poder recomeçar...Mas eu nasci em março, não posso evitar pensar que virá, com o estômago aos saltos.
Será que é mesmo impossível ser feliz sozinho?
De qualquer maneira, depois de tanto digitar, cheguei a duas felizes conclusões: não sofro de grandes causas e tenho três grandes amigas.
Isso já garante uma vida com bastante estilo!

terça-feira, 19 de junho de 2007

Maturidade & Sabedoria ou Orgulho & Preconceito.


Eu tenho visto tanta gente se perguntando o que é e o que não é ser maduro, que dá uma pena danada dessa geração de jovens idiotas.
Maturidade e sabedoria não são de fábrica, vêm com o tempo. Ainda assim, há quem amadureça pra umas questões e pra outras continue (ou queira continuar) com os arroubos todos que a pouca idade confere.
Não adianta sapatear, se você tem 20 anos, e acha o máximo ficar no bar fumando narguilé (pelo menos aprenda a escrever e pronunciar) como se não fosse outra forma estúpida de fumar e adoecer, se acha que é mais bacana, mais sabido, mais gostoso, mais fodão e mais malandro que o resto do mundo, renda-se à sua juventude e falta de prática óbvias e espere mais um pouco.
Nunca tantos jovens se suicidaram, beberam, se drogaram e morreram por nada como hoje. Vocês conseguiram a façanha de banalizar a si próprios.
A minha geração não pode envelhecer sossegada porque a meninada de hoje é formada 95% por idiotas narcisistas e de uma profundidade intelectual tão rasa que dá medo.
Só lêm o que já foi lido, só ouvem o que já foi ouvido e andam TODOS iguais.
Ninguém desafia nada, ninguém muda porra nenhuma e acham que bom mesmo é beber e ser fodão. Ter é que é bacana pra quem não sabe ser.
As gerações anteriores mudaram o mundo, sem as ferramentas que vcs desperdiçam usando a internet pra contar como o namorado é fofo ou postar fotos cada vez mais vulgares.
São uma geração completamente desperdiçada.
Ai ai... espero que a gente ainda tenha bastante paciência com vocês, crianças estúpidas.

Um beijo especial pro Alex, Vini, Claudinha, Ariane, Marquinhos, Isa e Rafa que fazem parte dos outros 5% que fazem o horizonte um pouco menos tenebroso!!

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Caio Fernando de Abreu.


(O nome de batismo tem o “de” e um "Loureiro" também)

Li Morangos Mofados com 17 anos, e nunca mais fui a mesma.
Foi o começo da minha doença de escrever. Eu já gostava quando pequena, mas ele despertou todas as minhas pretenções...
Como pode um texto tão bom quanto “Sobreviventes” pra ser ouvido ao som de Angela Roro (minha musa absoluta da época)... Você vai lendo e vai ouvindo junto com ele.
Você navegando o vazio da Espanha e eu no Leblon.
É muita proximidade, dá até medo.
Nunca gostei de nada pesado nem triste, nasci em março e sou de adoçar as coisas. Mas com ele sempre foi diferente. Quanto mais niilista, mais cru e mais exposto, mais eu gostava. Hoje além de todos os livros, tenho todas as antologias que foram publicadas!
Uma noite, no Madame Satã, dei de cara com ele e (morrendo de medo de fazer papel de idiota) fui lá me apresentar e conversamos a noite toda (e outras depois).
Ele não tinha nada da tristeza textual que eu procurava na fumaça daqueles cigarros. Um cara genial, engraçado, afetivo e interessado nas minhas bobagens todas.
Mito é uma merda.
Depois descobri que ele dividia o apartamento com outro amigo meu e as coincidências chegaram ao dia em que eu anunciei pra uma amiga que meu próximo namorado teria que chamar Caio. Não só chamou, como me casei com ele.
Fomos juntos ver a Grace (que na época ainda fazia bicos como garçonete do Ritz) no monólogo “Os Dragões não conhecem o Paraíso”. Sabia de cor quase metade desse texto maravilhoso.

E o Orkut com suas novidades... Outro dia recebi um scrap da sobrinha do Caio Fernando, contando que hoje mora na casa em que ele morou no sul e dorme no quarto que era dele.

Se eu tivesse nascido em outra época, jamais me perdoaria por não ter vivido os anos 80.

domingo, 17 de junho de 2007

O nascimento da reflexão.


Perseu, um adolescente a serviço da sabedoria tinha que entregar a cabeça da Medusa.
A resposta ao enorme desafio, dizia Atena, estava no espelho.
Esse foi o único conselho que o jovem recebeu antes de partir.
Ele poliu seu escudo de bronze e através da imagem que viu nele, pôde vislumbrar a Medusa adormecida e assim, seguiu pé ante pé até aproximar-se o suficiente para cortar-lhe a cabeça.
Nesse momento nascia a reflexão que mata
- o medo do desconhecido
- a morte nos olhos

Todo o jovem , em algum momento da vida tem que enfrentar a Medusa.

Fico mega feliz em saber exatamente quando e quem foi minha Medusa enfrentada.



Morfeu: onde o imaginário não se separa do concreto. São faces da mesma moeda.
Na mitologia, não há separação alguma (concreto e imaginário lado a lado)
Não é possível a criação de nada sem o imaginário.
Morfeu é aquele que dá forma.
Morfeu controla as transformações, as metamorfoses.
A arte de se transformar e evoluir.
Metamorfose é a arte de recriar a si próprio (sempre em direção á evolução)

NASCER, VIVER E MORRER COM DIGNIDADE.
Uma vez que digno é integro. (isso não é moral relativa, é absoluta).


Não é maravilhoso?
Quanto mais eu estudo mitologia, mais eu tenho que estudar.
Quanto mais sei, mas quero saber.
Como será quando eu começar a esquecer as coisas???