Como comentar aqui:

Se você não tem conta no Google ou no Blogger, vá em "comentar como" e preencha seu nome, não precisa de URL (pode ficar em branco). Depois é só "postar comentário".
bjs

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Abominável Mundo Novo.


Quando eu estava no primeiro colegial no Rio Branco, ganhei uma bolsa (em algum concurso de redação, ou de palpite na vida dos outros – minhas atividades favoritas) pra um Kibutz em Israel.
Quase morri de felicidade, mas acabei não indo por conta do pavor que minha mãe tinha dos “boatos de terrorismo” que foram apenas boatos, por pouquíssimo tempo...
Tinha acabado de ler um livro sobre o socialismo e achava tudo aquilo maravilhoso. Até porque, como etapa anterior do comunismo, o socialismo tinha mesmo essa função sedutora (que cumpria muitíssimo bem).
Um Kibutz, pra mim era o máximo da perfeição. Não havia ideal mais bem concretizado que crianças crescendo juntas, mulheres trabalhando juntas, homens fortes e serenos dispostos ao esforço físico e intelectual. Todos valendo a mesmíssima coisa, todos igualmente valorizados, sem propriedades, sem imperialismo blá blá blá.
Meus amigos que foram, mandavam aquelas fotos típicas deles colhendo laranjas...
Até hoje me pego sonhando em viver numa comunidade organizada por princípios comuns (já avisei que aqui a maturidade não tem vez).

Enfim, dia desses, li no Estadão uma matéria elogiosa sobre a “adequação dos Kibutz” aos novos tempos.
Como a maioria deles entrou em processo falimentar, os dirigentes (e moradores) começaram a vender terrenos dentro da propriedade (onde uma casa simples chega a valer U$70.000) e categorizaram a remuneração dos trabalhadores. Quanto mais preparado e com mais estudo, maior o salário.
Peraí: agora tem propriedade privada e programa de cargos e salários num Kibutz????

Olha gente, é melhor correr. O mundo tá mesmo acabando.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Vede o pé do Ypê...



Não é a primeira vez que eu sento aqui pra escrever sobre uma coisa e escrevo sobre outra completamente diversa.
Tencionava escrever sobre o quanto eu gosto de rever alguns filmes e seriados pela sensação nostálgica, pela memória contextual que a gente revive, mas fui atropelada por uma música maravilhosa.
Tava aqui agradecendo aos deuses pelo frio úmido e maravilhoso deste começo de noite, e lendo a coluna do Matthew Shirts de hoje. Na coluna, (sobre um percurso de ônibus) ele cita preciosidades dos anos 80, e entre elas um romance do Reinaldo Moraes chamado Tanto Faz.
Na hora eu lembrei desse livro, e fui procurar, morrendo de medo de ter emprestado pra algum amigo que não me tivesse devolvido. Mas tava lá (ainda bem que eu não emprestei pra ninguém, vivo perdendo livros que empresto).
Enfim, abri o livro (que foi comprado em 1983, na extinta Livraria do Bexiga – que ficava na esquina com o Café Soçaite) e dei de cara com um verso que escrevi na primeira página, de uma canção do Belchior.
O cara é de uma poesia impossível.
Eu lembro a força das letras dele e o entusiasmo que dava quando a gente tinha 13, 14 anos e se esgoelava cantando Como Nossos Pais, Velha Roupa Colorida ou Na hora do Almoço (que era sempre a segunda música que se aprendia no violão, a primeira era a do Vandré).
Tudo outra vez ou Todo sujo de batom são textos maravilhosos (e são tantas as letras maravilhosas dele que eu nem vou me dignar a ficar listando).
O cara nasceu em Sobral, trabalhava na feira, ralou pra entrar na faculdade de medicina e quando entrou, largou tudo pra viver de música.
Ele sempre aparece de cachecol nos shows. Deve ser coisa que gente que vivia num lugar quente feito o Ceará achava bacana, mas não dava pra usar! Eu fui a muuuuitos shows dele e adorei cada um. Uma amiga minha me provocava dizendo que aquele bigode dele escondia uma cicatriz de lábio leporino... aiai.

Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes (só chique assim pro cara usar o imperativo afirmativo numa música...)

Contemplo o rio que corre parado
E a dançarina de pedra que evolui
Completamente sem metas, sentado
Eu não tenho sido, eu sou, não serei, nem fui
A mente quer ser, mas querendo erra
Pois só sem desejos é que se vive o agora
Vede o pé do Ypê: apenasmente flora
revolucionariamente apenso ao pé da Serra.

De minha parte, eu faço coro com a Rita Lee e pergunto:
“Ai meu Deus, o que foi que aconteceu com a música popular brasileira?”

Ps: As duas últimas linhas da música – que por sinal chama Ypê – são as tais que eu escrevi na primeira página do livro.