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bjs

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Cantemos juntos.


Essa semana, depois de muitas negociações, consegui uma entrevista exclusiva com o Ravel.
Pra quem não lembra, ele fazia dupla com o irmão Dom e foi execrado pela esquerda quando os militares usaram suas músicas como hinos do ufanismo da época do “Brasil, ame-o ou deixe-o”.
Ele está cego e paranóico. Tá bom que eu sou uma banana, mas fiquei muito impressionada com o tanto que ele está vulnerável e ainda com muito medo de sair de casa. Ele é de uma calma, de uma doçura...
Quando falei, no começo do mês, com o Zé Rodrix e o Paulo César Araújo (que é o autor da melhor publicação sobre música brega durante o regime militar e do livro proibido do Roberto Carlos) eles falaram muito dele, que foi tudo uma puta sacanagem que ele nunca foi colaborador dos militares. Pra mim foi uma surpresa, já tinha como certo que ele tinha colaborado sim, que era "de direita", que tinha feito “Eu te amo meu Brasil” apoiando o Golpe Militar, e fiquei louca de vontade de conversar com ele.
Ravel mora com a mulher numa casinha de bonecas estilo alemão, num terreno cheio de árvores e passarinhos, uma graça!
Conversamos por mais de três horas. Ele cantou, chorou e falou – entre outras coisas- que o irmão morreu de câncer de puro ressentimento, que eles tiveram a casa invadida, a família perseguida e foram espancados diversas vezes.
Pelos militares? Nananina pela esquerda. Pelos heróis da esquerda, que hoje pedem retratações milionárias ao governo.
Não vou entrar em detalhes da entrevista, que isso sai na revista ou acaba virando livro.
Mas é interessante a gente lembrar que TUDO tem dois lados, e que os dois lados erram...
A vida tem dessas coisas.