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sábado, 7 de julho de 2007

California Dreaming... (pro Mr.Elias Mansurf)


Quando era tudo mais leve.
Eu ouço falar em jornalismo romântico, fotojornalismo romântico, literatura romântica.

O “romântico” remonta à tudo que era feito beeeem antes...
Tem alguma ligação com a época em que as coisas eram mais manuais e menos automáticas e instantâneas.
Não é preciso mais esperar pra nada.

Eu lembro de uma música que gostava há 20 anos, ou que acabei de ouvir numa trilha de filme no cinema, corro pro Kazaa e baixo em minutos.
Foto digital...haha, quem lembra de ficar esperando os malditos três dias que demorava a bendita revelação?

Máquina não tinha zoom (nem cor), e das 24 chapas, duas ficavam bacanas, mas a gente guardava tu-do!
A emoção toda das coisas virou uma ejaculação precoce: Quero...já consegui.
Ainda gosto de ficar horas garimpando CD’s nas lojas, mas não é mais pela fissura de ouvir aquela determinada música que te catapulta pra uma circunstância passada super especial.
Isso é foda, e é muito difícil de mensurar a falta que a espera fará pras gerações futuras.
Nem tô considerando a doença de contentar filhos que os pais têm, essa endemia de toma- logo- tudo- o-que- lhe- é- devido. Tô falando do ritmo em que as coisas acontecem hoje.
Quando eu queria beijar um menino era aquela agonia infinda até alguém tomar coragem, desistir ou quebrar a cara. E tome páginas do diário e horas no telefone com a melhor amiga...
Hoje é tudo jogo rápido, se um quer, logo faz o outro saber e se resolve a questão numa ficada.
E as cartas? Porra... Carta demorava anos pra chegar, e era aquela espera deliciosa, aquela tortura doce de saber que dia o carteiro passava e cultivar uma cumplicidade que pela cara dele, você já sabia se a carta tava lá...

Eu quase morri de felicidade quando ganhei minha máquina de escrever, assim que entrei na faculdade... O Jorge Amado nunca escreveu em outra coisa (eu não sou assim tão fiel...)

Loja 24 horas? Nem pensar... Minha mãe voltou ontem da Europa e ficamos comentando como o ritmo da vila italiana onde o namorado dela mora é tão outro, que nem parece outro continente, mas outro planeta.
Ninguém era santinho nos anos 70 e 80, ninguém ficava marcando passo. Mas a conquista dava mais trabalho, a vida era em outras cores, que eu insisto em apreciar até hoje (os DPI's eram beeeem outros...).
É a globalização, a rede, e a puta que pariu...
Agora a vida virou business, é tudo sem tempo pra perder, é tudo urgente.
Será que o mundo tá mesmo acabando ou eu só to ficando velha??

Duvido que se a Carolina ficar na janela consiga ver o tempo passar nessa pressa.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

O Rei está nu.


Depois da baixaria que foi a proibição da venda do livro “Roberto Carlos em detalhes”, o autor decidiu enfim recapitular.
Não sou especialista em direito autoral estou muuuito longe disso, mas vou pela Liberdade de Imprensa e de Expressão, que não há de ser desdita pelas leis de proteção autoral e violação de privacidade...

Não li o livro inteiro, (nem tenho o menor interesse em saber em que armário o Rei guarda suas pernas de pau-embora tenha sabido através de uma fonte quentíssima, que Nice a primeira esposa, escondia as dita cujas, quando achava que ele tava querendo aprontar....) hahaha (nem isso está dito no livro, que surfa sobre essas bobagens).

Enfim, não li tudo mesmo, mas dei pra minha mãe no Natal do ano passado e na praia, enquanto eu batalhava ingloriamente contra o tom palmito de minhas pernocas, ela ia me contando sobre o que lia e eu dava umas sapeadas. Livro traz um contexto histórico da música da época que impressiona.
Nosso Rei é uma pessoa pública que sempre contou em detalhes (ai...) seu universo particular.
Tá lá pra quem quiser ver, que ele queria trepar sossegado e as crianças não tavam um tempo em “Quando as crianças saírem de férias”... e em outras mais... que bobagem!

Esse autor escreveu outro livro chamado “Eu não sou cachorro não”, que eu li quando estava preparando meu projeto de iniciação científica(que é sobre a música popular brasileira durante o golpe militar) e adorei. O cara tem um dom pra ver outros aspectos das coisas.
Nesse livro, ele não fala do Caetano, do Chico nem do Gil, mas do Agnaldo Timóteo, Waldick Soriano, Lindomar Castilho e outros “músicos de direita” que apanharam tanto quanto os demais, mas ficaram sem os louros da glória da resistência. O cara é muito bom.

Mas o Rei não gostou, se sentiu invadido.
Num primeiro momento, eu achei que era tudo uma puuuta jogada de marketing, mas não era não, era uma puuuta baixaria mesmo. A começar pelo tempo record em que a ação correu...

Eu me canso dessa gente que vende a alma pro diabo e depois não quer entregar a mercadoria.
O vocalista da banda americana Pearl Jam, andou reclamando da exposição da figura dele e do interesse dos fãs por sua vida privada... algum incauto respondeu: se você não tava a fim de pagar o preço da fama, devia ter ido trabalhar no McDonald’s.


Espero sinceramente que o Paulo César Araújo consiga destalingar a venda do livro dele, e que possa mandar o Mr Braga se foder.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Porque eu não vou votar no Cristo.


Porque é ridículo a gente viver mendigando uma migalhinha de papel no script do primeiro mundo.
Acho os cariocas meio chatos e o sotaque um porre completo, mas isso não tem a menor relevância na minha argumentação.
Tá bom que eu tô puuuta até hoje com aquele show gratuito na praia de Copacabana pra ver os Stones, enquanto a paulistada morria com R$250,00 por cabeça pra ver o U2. Não é questão de qual banda é mais bacana, nem mais relevante, mas essa piadinha de um trabalha e o outro fica na praia, pra mim, já deu...


Voltando ao que interessa, alguém vai ter a santa cara de pau de querer equiparar o Cristo Redentor com o Colosso de Rhodes? Ou com a Muralha da China?
O Brasil (e os brasileiros) tem que parar de achar o máximo a turistada vir aqui pra pegar menor de idade em Fortaleza ou ver escola de samba (bundas e peitos) ... Enquanto a gente tiver só isso pra oferecer, vai ser isso que a gente vai ter: NADA!

Os brasileiros estão em segundo lugar em precocidade na perda da virgindade, que lindo...

Eu nem sei mais o que eu quero que o Brasil seja, mas sei exatamente o que eu quero que NÃO seja.


Ninguém varre a calçada, ninguém cuida do patrimônio público, ninguém recolhe merda do cachoro na rua, ninguém ensina criança a ter ética e querem que o mundo olhe pra gente de braços abertos sobre a Guanabara?
Francamente...

Pra quem não sabe as maravilhas do mundo são essas aqui:
1.1 Pirâmides de Gizé
1.2 Jardins Suspensos da Babilónia
1.3 Estátua de Zeus em Olímpia
1.4 Templo de Ártemis em Éfeso
1.5 Mausoléu de Halicarnasso
1.6 Colosso de Rodes
1.7 Farol de Alexandria

Agora, inventaram de escolher mais sete, e temos 21 possibilidades:
Acrópole - Atenas, Grécia;
Alhambra - Granada, Espanha;
Angkor - Camboja;
Basílica de Santa Sofia - Istambul, Turquia;
Castelo de Neuschwanstein - Füssen, Alemanha;
Chichén Itzá - Yucatan, México;
Coliseu - Roma, Itália;
Cristo Redentor - Rio de Janeiro, Brasil;
Estátua da Liberdade - Nova York, Estados Unidos da América;
Estátuas da Ilha de Páscoa - Ilha de Páscoa, Chile;
Grande Muralha da China - China;
Kremlin - Moscou, Rússia;
Machu Picchu - Peru;
Ópera de Sydney - Austrália;
Petra - Jordânia;
Pirâmides de Gizé* - Egito;
Stonehenge - Amesbury, Reino Unido;
Taj Mahal - Agra, Índia';
Templo Kiyomizu-dera - Kyoto, Japão;
Timbuktu - Mali;
Torre Eiffel - Paris, França.

O tal concurso acaba sexta e o resultado sai no sábado (e acaba enfim essa papagaiada).

terça-feira, 3 de julho de 2007

O morro das balas uivantes.

Nunca tive problemas com a exposição.
Eu sempre gostei de aparecer.
Me falta crítica o bastante pra gostar de contar cada uma das idéias de minhoca que assolam minha cabeça.
Meu marido e minha irmã tentam me proteger dos meus próprios arroubos. São dois amores.
Mas não adianta.
Não tenho pretensões de isenção jornalística e acho isso um saco. Blog, pra mim, é de caráter pessoal, é o meu filtro, meu palpite e onde eu posso exagerar, colorir ou desbotar o quanto me agrade.
Falo o que faço e o que penso, acho que é assim que deve ser.
Eu falo, depois aguento. Nunca reclamei.

Enfim, o Lula agora vai colocar um teleférico no morro do alemão.
Que lindo. Será que os traficantes aqui de São Paulo vão pagar meia entrada?
É o caralho.
E a Rede Globo está escandalizada com um livro de geografia pra crianças que aponta, no complexo do alemão, onde as facções criminosas estão sediadas.
Pode ter favela dominada por traficante.
Pode morrer gente na linha vermelha todo o santo dia, o fingerless pode colocar teleférico, bandinha e carrinho de pipoca.
O que não pode é mostrar pros alunos em sala de aula.

As crianças do morro do alemão tiveram suas redações publicadas na Folha de São Paulo de ontem, e a intimidade com a violência, com a morte, com as armas e com o medo era assutadoramente trivial.
Mas elas podem viver isso, as outras é que não podem saber disso.

Uma menina européia salvou a família do Tsunami, porque identificou os sinais prévios da catástrofe (que tinha aprendido na escola) a tempo.
As crianças cariocas não poderão salvar ninguém, porque nosso Tsunami está embaixo do tapete.

Nesse final de semana morreram sete no Morro do Piolho, aqui na Serra (mas sete não deve justificar um teleférico, será que a gente não merecia pelo menos uma cabra enfeitada puxando uma charrete?).

Eu tenho uma raiva danada dessa postura de não ter vergonha de fazer, mas de ouvir que fez.
Eu sempre falo isso: se fez, agora agüente o falatório.
Nosso Governo não faz e não quer falatório.
Pu-ta que Pa-riu.
Eu não aguento essas coisas.

domingo, 1 de julho de 2007

Wondering.


Andei trabalhando tanto, tão atrapalhada e na correria, que me perdi com o tempo livre recém adquirido no final da semana passada!
A Divina Providência já me arrumou coisas novas pra fazer até ir pra Campos, melhor assim...

Encontrei alguns amigos, cozinhei (fiz toneladas de molho de tomates com manjericão) namorei, tive o sublime e maravilhoso encontro das mosqueteiras e passei o resto do tempo na cama paparicando um marido entupido (e mimado). A vida vai muito bem, obrigada!


Hoje uma amiga chamada Claudia Wonder, mandou um link da amostra do documentário "Meu amigo Claudia" que está sendo feito sobre ela.
Claudia, segundo ela, não é homem ou mulher. Ela é homem e mulher. Um casal que vive em harmonia!
Ela canta e manda muito bem, na vanguarda da cultura paulista desde nossos primórdios no Madame Satã. Numa época em que as Draggs dominam pelo over, e os trans dublam Divas; Claudia tem o seu espaço, e seu próprio aplauso.
A última vez que nos vimos foi no Puri com o Heitor Werneck, numa noite fria de rachar... Eu tomava chá e ela ria muito da minha caretice etílica (sou incapaz de beber, não gosto e não aguento).
Ela é imagem da elegância e educação, é pra matar a gente de orgulho.
E eu fico aqui pensando que essa vida sem descanso de conquistar (além do básico que nós mortais somos obrigados a conquistar) respeito e tratamento digno, deve ser foda, já pensou?

Hoje na Folha, uma menina de 16 anos de nome James, grávida de dois meses, conta que não consegue fazer o pré natal, porque James é nome de homem.
É de matar.

Sempre que eu acho que tá meio difícil, penso em gente melhor que eu (como a Claudia), que faz muito mais coisa, resmunga muito menos e mata um leão (e milhares de antas e jumentos) por dia (há bastante tempo) e still Wonder.




Ah, a Reco (minha ama e senhora) me sugeriu que responda aos comentários abaixo dos mesmos.Obediente que sou, o farei a partir de então!