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sábado, 17 de maio de 2008

Adeus, Anarquista.



Há pouco, morreu a Zélia Gattai. Junto com Isabel Allende, formava minha dupla de escritoras predileta, daquelas que eu comprava qualquer livro que saísse sem me importar em dar uma lida antes. A escrita delas é bem parelha, as duas escrevem sem nenhuma pretensão e eu ouvia uma voz amiga balbuciando suas linhas, a cada vez que folheava os Contos de Eva Luna ou as histórias de Zélia e Jorge.


Minha mãe encontrou os dois uma noite na França e disse que foi uma das coisas mais bonitinhas que viu na vida: os dois de braços dados andando pela praça conversando e sorrindo.
Eu – que sou uma anta desmemoriada – também tenho minha história com a Zélia:

Onde hoje é a FNAC de Pinheiros, anteriormente era o Shopping Cultural da Ática (que eu preferia mil vezes). Lá eram realizadas as festas de entrega do Prêmio Jabuti. Numa dessas noites, o Caio foi receber o prêmio por algum autor na Rocco que estava no exterior e eu fui com ele. Tava um frio infernal. O cocktail rolava no último andar e a mulherada tinha caprichado mais que o de costume nos decotes, jóias e perfume, tava duuuuro...
O Caio foi fazer alguma coisa que eu não lembro e eu sentei num banco na ponta de uma gôndola de livros. Chegou uma velhinha de cabelinhos curtos, sentou do meu lado e começou a puxar conversa. Ficamos conversando muito tempo, falando das peruas exageradas, dos livros e dos maridos. Ela reclamou que tinha vindo só pra São Paulo, que o marido estava doente e ela não via a hora de voltar, já que ele não ficava bem com mais ninguém. O Raí parou bem na nossa frente pra conversar com um jornalista e nós soltamos o mesmo suspiro..foi muito divertido.
Eu achava que conhecia, mas não imaginava de onde...


Só me toquei quando chamaram o nome do vencedor daquele ano em alguma categoria super especial e ela levantou pra receber em nome do tal marido doente, Sr Jorge Amado!


Sobre ela. ele escreveu em Navegação de Cabotagem:


"Ainda meio dormindo, ás vésperas dos oitenta anos estendo o braço, toco teu corpo, sinto teu calor, tua respiração. Amanhece, a luz do novo dia desponta tênue na barra da manhã, penso nos privilégios que tenho, mordomias. Teus olhos, teu sorriso, os seios, o ventre, a bunda, o coração, a inteireza, a decência, a mansidão, o devotamento. A vida nasce de ti na madrugada"


Agora eles poderão voltar a andar de braços dados, trocando sorrisos enquanto colocam o assunto em dia.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Do amor e outros demônios


O amor é engraçado.

Quando eu era mais nova, vivia pensando que a probabilidade estatística de encontrar alguém compatível e que me amasse na mesma proporção era abaixo de zero.
Mas encontrei o Caio. Não foi meu primeiro amor, tive outro antes. Mas não tinha a tal compatibilidade, e quando chegava a hora de business a coisa empacava.
Eu namorei, noivei e casei em um ano e três meses. E lá se vão quase 20 anos. Minhas irmãs e meus pais namoraram aaaaaaanos e estão todos separados. Todos casaram na igreja, de branco, como manda o figurino. Eu casei de preto, no dia das bruxas e estamos aqui até hoje. A vida não funciona linearmente.
Mas esse não é o caso.

O caso é que sábado foi o casamento da Verônica e do Dudu. A Verô é filha de uma amigona superquerida do Satã. Um dia antes, fomos - eu e a Sophia - ajudar a embrulhar bem casados pra festa e foi um dia bem divertido -ainda que o atrapalhado do Caio tenha se perdido no trânsito record da sexta feira.

Eles não chegaram a namorar dois anos e eu imagino que MUITA gente tenha torcido o nariz com a decisão "precipitada".
Daí eu penso o seguinte: o que a gente tanto espera? Se a felicidade de hoje e de amanhã tá na mão, pra que ficar cumprindo currículo? Pra que tanta espera?
"Ah, mas pode não dar certo". Sim, mas amanhã pode acabar o mundo, a Hillary pode desbancar o Obama e eu posso bem acordar trinta toneladas mais gostosa... Amanhã é outro dia, outro departamento.

A vida é feita de sabores, eu sempre digo isso.
O olhar dos dois na festa e a felicidade estampada no sorriso lindo da Verô era doce, muito doce.
Se amanhã azedar (coisa que eu sinceramente duvido), isso acontece, e não vai tirar o gosto de vê-los felizes dançando no meio de tantos amigos.
A vida é curta pra algumas coisas e longa pra outras.
Curta pra ficar sofrendo e enrolando e comprida pra ser feliz.
Encontrou a tal pessoa? Foda-se o que sua mãe acha. Vai fundo que sai mais barato a terapia de quem fez demais que a de quem não fez porra nenhuma.

Parabéns pra quem ama, quem tem coragem e quem toma providências sobre esse amor.
Pro resto, as migalhas de sempre.
Verô e Dudu: detonem!