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bjs

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Vascolejando o léxico.


Palavras.

A fonte maior.
Não fossem elas, e a arte de usar cada uma em um devido lugar e ordem, que graça teria a gente se meter a escrever?
Mas há algumas que a gente não pode mais usar.
Um autor nosso, mandou um original pra eu revisar, cheio de entidades.
Tive que substituir cada uma e mandar uma ressalva ao coitado, pedindo pra esquecer as ditas cujas.
Entidade perdeu completamente o significado de pessoa jurídica e de qualidade excepcional, para virar santo baixado em alguma coisa ou alguém.
As entidades, antes conceituadas, agora estão condenadas às mesas brancas e terreiros em geral.

Irmão e irmã (irmãozinho e irmãzinha), viraram propriedade dos evangélicos, que se apropriaram não só da palavra mas do sentido. Usurparam até o termo Senhor Jesus; que hoje remonta diretamente às chatas de saias azul marinho que tentam fazer lavagem cerebral de porta em porta. Ai que raiva.

Graças ás legendas e dublagens mal traduzidas, vadiar virou prostituir-se.
Minha bisavó tinha uma arara, e se referia a ela como animal maneiro (de vir comer na mão), maneiro hoje só serve pra texto da Malhação com aquele insuportável sotaque carioca.

Tem aquelas com as quais a gente implica: eu odeio a palavra escroto, não falo e me arrepio só de escrever.
A Sophia, quando era pequena, não podia ouvir babaca.


E tem as que a gente inventa. Essas são ótimas! Eu sou (junto com a Gianna) criadora e usuária contumaz da terminação ura.
Muito bonito é uma bonitura.
Muito chato é uma chatura.
E por aí vai ...
Diminutivo de nuvem? Nuvinha!
A Sophia inventou a fofuce.
Quem é fofo faz fofuces.

Eu escrevo pra uma revista adolescente, e como tal, uso e abuso do óóótemo, muuuuuuuito e supermegamulti... É uma delícia escrever assim!

É preciso alguma intimidade e liberdade pra poder brincar com as palavras.

Palavras têm (esse acento vai dançar após a próxima reforma gramatical – que merda) o poder de enlevar ou derrubar vertiginosamente o escrevente ou escritor.
O termo “escolhendo as palavras” confere cautela, mostra preocupação com o conteúdo; é o máximo! Todos deviam escolher bem as palavras.

O Caetano é mestre em brincar com elas e desenterrar algumas esquecidas (como quando chamou a vida de tacanha na música tema de Tieta). O Chico também domina, mas o Caetano como criador infinitamente mais pop, cumpre essa função de desempoeirar o léxico!

Crista do desejo o destino deslinda-se em beleza: Outras palavras

Adoro sublinhar, enfatizar, e trabalhar com elas.
Grande amigas as palavras.


beijinho pra Tânia Sandroni, que inspira o cuidado com o texto e a paixão pela palavra bem escolhida.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Páginas de um livro bom.


Ai a juventude.
Eu vivo me surpreendendo, me decepcionando e me encantando com ela.

Tem umas coitadinhas que leêm meus arroubos anti babacas juvenis e depois postam graaaandes novidades em seus bloguinhos como se tivessem descoberto a américa.
Mas tem as que me encantam.

Duas especialmente: a Isa (filha emprestada da Reco) e a (minha sobrinha amada, idolatrada, salve salve)!
A Isa foi pra Londres e está apanhando das linhas de ônibus e dos horários do metrô, em contrapartida, já aprendeu a lavar roupa e tá se virando que é uma coisa.
A Fá entrou na faculdade em Maringá e está lá sozinha, com sua graninha e seu carro novo! Tão decidida, tão doce, tão forte e tão bebê... tudo ao mesmo tempo.


Eu fico aqui pensando o quanto é velha, batida e fora de moda essa conversa de querer a expectativa de vida e as oportunidades da juventude com nossa cabeça madura! Mas que dá vontade, ai isso dá mesmo!
Imaginem poder recomeçar, poder escolher de novo, ter outra chance...

Hoje um amigo que há quatro anos se bandeou pro Piemonte, me contou que com 60 anos, vc ainda é mão de obra contratável na Itália... hahaha
Aqui logo o bilhete perde a validade.

A gente vive como se jogar um dia fora não fizesse diferença, mas faz.
Não dá pra negociar, nem pra pedir de volta o tempo que passou.
Eu, pelo menos tenho poucos arrependimentos. Deve ser foda fazer a conta da vida e ficar devendo. Deus me livre!
Não custa lembrar que o tempo tem sempre pressa.


Meu alento é saber que toda a vida que minhas meninas queridas têm pela frente, promete ser bem vivida.
Mas alento mesmo, seria poder viver tudo com elas, já pensou???