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bjs

sábado, 22 de dezembro de 2007

Egydio Noel


Me acabei nas compras de natal, e elas, é claro, acabaram comigo.

Eu tenho um problema sério com meus filhos: durante o ano, não sou de ficar dando presente por nada, fora de datas (salvo quando meu realmente não resisto). Mas no natal é fo-da... saio comprando tudo que eles pediram e mais o que eu acho que eles vão gostar. Hahaha

Eu adoro o natal. Fico no maior bom humor, mas choro com as propagandas da Coca-cola.

Quando eu era pequena, a gente tinha bastaaaaaante dinheiro, mas não tinha essa cultura maluca de consumo que temos hoje (eu, principalmente). Daí o mais divertido era ver o que meu pai daria pra minha mãe, que variava de um carro embrulhado pra presente a uma coleção de perfumes franceses escondidos numa caixa do tamanho de uma máquina de lavar cheia de papel picado.

Meu pai é o cara mais bem humorado do mundo e tem as três filhas mais ciumentas da face da terra; e ele se diverte com isso, acha que "as meninas" são assim mesmo (uma de 41, outra de 42 e a mais velha de 46...muuuito meninas) e não tá nem aí pros chiliques das namoradas.

Pai sofre.

Tem alguma explicação pra paixão cega que filhas têm pelos pais?
E não é por que o meu é bacana, ou deixa de ser.
No livro que eu tô fazendo pro Estado sobre consumo de drogas e álcool, na parte que trata de adolescentes tem um estudo sobre os motivos dos adolescentes irem pra rua e as meninas referem TODAS outros desentendimentos familiares, mas com o pai tá sempre tuuuuudo bem.
A paixão desmedida da Sophia pelo Caio me encanta e me lota de ciúmes...hehe

Cabe ao pai o papel de ensinar a obedecer regras e valores sociais, viver os riscos e as aventuras.
90% dos adolescentes com problemas com álcool e drogas não tiveram presença da figura paterna. A mãe, nesse caso específico de drogadição, não faz a menor diferença... ai a cabeça humana.

A maior associação que eu faço com essa teoria de que o pai arrisca e a mãe protege é lembrar que quando éramos pequenas, vivíamos na praia e meu pai adorava nadar. Ele punha as três nas costas e saía nadando mar adentro e a gente que se segurasse onde desse. Minha mãe só faltava morrer do coração na areia e nós penduradas nele, no pesçoco, no braço, ou umas nas outras na maior gritaria, felizes da vida.

Ele sempre teve moto, e aparecia na porta da escola de jaqueta de couro e capacete pintado (combinando com o tanque da 7 galo) pra buscar as três de uma vez. A Cibele ía no tanque e eu e a Lilian na garupa (mais as malas, lancheiras etc), a escola inteira morria de inveja (e o diretor Johannes Gabriel, ligava pra minha mãe desesperado pra reclamar "do absurdo"). Era uma delícia; e um dos motivos pra minha popularidade na época...hehehe


Na época áurea do Satã, enquantro eu ainda morava com eles, ele foi comigo de moto, roupa de couro e baton preto.

Meu pai é perfeito. Tem seus defeitos, que é um mortal, mas pra mim é como se não tivesse.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Fechando para balanço 1.




Minha entrevista pro Retina POP em junho deste ano:



Causando comoção
Elaine Gomes, editora

EU SOU...Assim mesmo. Se não gostou de mim na hora, pode desistir de gostar depois!


SE NÃO FOSSE EDITORA SERIA... Escritora, que é o que eu gostaria imensamente de ter tempo (e assunto) pra ser. Na pior das hipóteses uma estrela de rock comedora de cabeças de morcego também seria uma pedida interessante...


MEU SONHO DE CONSUMO É...Morar no Alasca. Num chalé de madeira com toda a tecnologia a meu serviço.


MEU PRIMEIRO BEIJO FOI...Um fiasco! Eu tinha um namorado super bonitinho (era repetente - eu sempre gostei de homem influente), um dos únicos brasileiros da sala. A gente mentiu pra classe que já tinha se beijado pra pararem de atormentar com esse assunto. Um dia a gente tava fazendo hora na porta do colégio na hora da saída e acabamos nos beijando mesmo pra largarem do nosso pé... Motivo besta né? O primeiro não foi lá essas coisas, que o nervoso atrapalha, mas os seguintes foram óóótemos.


TENHO MANIA DE...Me envolver. Me arrependo muitas vezes, mas isso é coisa de quem tá vivo, né?


A PARTE DA CASA QUE EU MAIS GOSTO...Aquela que fica da porta pra dentro. Do portão pra dentro que até o jardim da entrada eu adoro. Sou tarada por casas ( meu pai sempre teve imobiliária e construiu casas, a gente vivia visitando imóveis)e apaixonada pela minha, que modéstia a parte é o lugar mais aconchegante que eu já visitei. Tem sempre lugar pra todo mundo, essa é a característica mais importante. A campainha trabalha o tempo todo!!!!


A MELHOR VIAGEM QUE JÁ FIZ...Natal e Revellion na Disney com o Caio e as crianças. Vc pode andar o mundo todo a europa é o máximo, é linda, tem os museus e a história as pirâmides do México são o tu-do... Mas levar filho pra passar o natal na Disney, é a melhor coisa do mundo.


A MÚSICA DA MINHA VIDA É...Vou escolher mais de uma: Vaca profana do Caetano Veloso pela letra e Golden Slumbers dos Beatles pela música. Ai tem Junk do Paul (que fez aniversário ontem).. tem Beautiful Boy do John... tem ...tem... hehehe


UM PECADO ÍNTIMO...Meus pecados são tantos, mas o maior é a preguiça. Pelo menos é o que mais me incomoda. Soberba também é foda, mas é meu pecado predileto.


SE FOSSE UM PRODUTO MEU SLOGAN SERIA...Drogas, sexo e rock'n roll, mas poderia ser aprecie sem moderação!!! hehehe


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

As últimas nuvens azuis no céu da alameda principal.



Passei di-re-to.

Eu resolvi, há algum tempo, que me ma-to se ficar de exame de alguma coisa. Faço questão de terminar o curso sem ter feito um único exame (que é moleza o negócio ali, todo mundo sabe). Isso é o mínimo de esforço naquele mar de boquinhas...
Depois das notas que eu vi os livros reportagem receberem, tava pra lá de desanimada. Pelo amor de Deus, qualquer livro meia boca tira dez? E o povo vê aquele mar de dez e acha que é mérito do trabalho, e não generosidade do professor que sabe que não formou a turma como poderia ou deveria, sei lá...
Eu vou ter que tirar QUINZE com mérito, ou já vou fazendo um trabalhinho bem medíocre sobre qualquer coisa (uma única visão, sem aprofundamento) e pronto. Mas to feliz da vida e não vou pensar nisso agora.


Estou num bom humor insuportável. Tirei um dez redondo bem na matéria da Marcia Detoni (teorias do jornalismo) que é notória por sua pouca generosidade nas notas... ali não tem moleza, ela deixa de exame por uma merreca. De estatística eu também me livrei, graças á prova com consulta e ás consultas à Claudinha que veio dormir aqui um dia antes da prova pra gente estudar.
Terminei meu trabalho do Cratod (foi um parto pra poder entregar os quatro últimos DVD’s transcritos, mas acabou a novela).


E ontem foi noite de confissão comunitária na Igreja. Lá fomos os quatro. Eu acho engraçado o tanto que o povo se espanta com a minha carolice. Quando eu conto que vou à missa todo o domingo, ajudo na Igreja e sou amiga dos padres, o povo se espanta... Deve ser porque eu gosto de caveiras e falo palavrão, mas isso não tem nenhuma ligação com o fato de eu acreditar MUITO em Deus (que é um fofo completo e vive me facilitando a vida) e achar mais negócio investir no aumento da fé que no saldo bancário.
Enfim, eu fazendo minha lista interminável de pecados (pra não esquecer nada, não vou entrar o ano com esse peso extra... já chega o peso da minha bunda igualmente interminável), o Caio e as crianças se divertindo com a minha lista secreta (que os três leram); o Caio fazendo o maior sucesso com as velhotas da paróquia, o Grê estressadíssimo - ai como esse menino é tenso- e a Sophia de olho num menino que apareceu de bandana e todo tatuado.... Mas foi tudo tranqüilo, e depois fomos felizes e leves feito quatro plumas impolutas, tomar sorvete.
Agora é esperar o Natal e olhar o mar da Domingas Dias!
Ai o Verão...


Obs: O nome do post é uma boa lembrança de uma leiteria (com esse nome) dos jardins onde todo mundo ía namorar e era um oásis de tão bacana...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O mundo, decididamente, tem salvação.




"O corpo de Bombeiros resgatou nesta sexta-feira um bem-te-vi que ficou preso na linha de uma pipa em cima de uma árvore localizada na Alameda Santos, na Consolação, em São Paulo. Uma viatura com escada foi utilizada para chegar ao pássaro.
O bem-te-vi teve ferimentos leves e teria sido encaminhado para tratamento por um morador da região. " Portal Terra.



Nem vou dizer mais nada, que nem precisa.

Se o Caio fosse PM (coisa que ele jamais seria, estamos no campo das hipóteses) ele seria bombeiro, com toda certeza.


beijos

Desconserto


Três meses.
É tempo demais.
Eu continuo envelhecendo um ano por dia.
E os dias não esperam que ele me procure, não esperam por mim e não me trazem nada de bom.
Essa chuva me machuca, mas não me adoece, não sou capaz de adoecer ainda mais.
O frio já se viu bem recebido e sabe que está em boa companhia.
Esta rua maldita, cheia de poças, buracos, remorsos, sujeira, desejos e perguntas.
Perdi a vontade, a vergonha e os sentidos há tantos silêncios, que nem sou capaz de lembrar quando.
Os faróis me iluminam como se eu fizesse parte desse muro molhado horrível.
Por algum tempo, tive vergonha de seguir minha vida sem ele, de me saber sem ele e de me saberem completamente sem ele.
Como algo pode ser completo sem ele?
A vida em preto e branco, o frio, o cigarro e a dor.
O alto do prédio surge em meio a árvores encharcadas de água da chuva.
Eu sorrio ao lembrar o poeta português indagando o quanto da água salgada do mar são lágrimas... se minhas lágrimas fossem doces, e se eu ainda tivesse lágrimas...
Mas ele nunca me procurou.
Não responde cartas, não retorna ligações nem liga o celular.
Nunca é tempo demais.
Ele simplesmente me esqueceu.
Entro no prédio com pressa e o porteiro de sempre, sempre distraído, sempre preguiçoso, sempre sem me notar, mantêm sua rotina.
No elevador, chego a sentir o cheiro dele, vejo suas mãos tão brancas e seus olhos maravilhosos.
Por um momento, assim que o elevador pára no oitavo andar, eu me dou conta de que ele deve estar fora da cidade. Sempre foi tão ocupado, tão importante e tão preocupado. Sempre teve uma vida cheia de compromissos. E sei que um dia, assim que ele tiver tempo, vai me procurar. Aí, quem sabe eu possa contar do que o médico andou falando sobre meus exames e que alguma coisa aconteceu com a pensão que deixei de receber.
Ele sempre disse que cuidaria de mim, e ele é um filho maravilhoso.
Só está meio ocupado.
Graças aos céus, dou meia volta e refaço o caminho molhado e frio em direção à minha casa, pra onde, muito provavelmente ele esteja telefonando nesse exato momento.



quarta-feira, 5 de dezembro de 2007



Tô mesmo precisando de férias.

Ando me incomodando com as mesmas coisas, e falando as mesmas coisas.

O Brasil ficou em zilhonézimo lugar numa avaliação de desempenho estudantil, e eu me surpreendo e me enfureço com isso.

Como se não visse todo o santo dia na sala de aula, o nível dos estudantes universitários (salvo raríssimas exceções e o pessoal do PROUNI, que é maravilhosa) muuuito abaixo da linha do aceitável.

E não é só preparo, é educação e escala de prioridades. Vivo me perguntando o que eu tô fazendo alí...

Tô cheia de livros bacanas pra ler e fico estudando teorias idiotas de professores que ensinam aquela manada a pensar com a cabeça deles (professores); isso quando não perdem meu trabalho e me dão uma média medíocre.

Na praia eu me vingo, leio seis livros em dez dias. É maravilhoso!

Ai Natal, quer fazer o favor de chegar de uma vez?


Trabalho até dia 10 e daí vou ver a Reco, a Isa, a Pat, a Pituca, a Gianna e a Leda!


bjs cansados.



Pontuando:

As aulas bem que poderiam ter acabado hoje, mas ainda não sei se fiquei de exame de Teorias do Jornalismo. Ai que revolta! Nunca tirei um cinco na FAAP e essa professora desavisada me sapeca um cinco na média do primeiro semestre na UNIP, porque não considerou o trabalho que eu fiz. Pelo menos foi o que ela me disse ... ( é claro que a idiota aqui entregou na data e fez um trabalhinho bem bacana que ela deve ter esquecido no banco de trás do carro e o cachorro comeu).


Meu amigo Alex fez aniversário e nós fomos almoçar. Esse menino é a perfeitura completa e eu sou maluca por ele (não que ele mereça, que é um grandão enjoado e mimado) mas eu não tenho controle nenhum sobre meu gostador! Os amores na turma vão e vem em graduações diversas, mas ele ta lá firmão, desde quando eu não sentava perto dele... Quando ele ficar rico e famoso eu vou vender minhas POP a peso de ouro, e vou aparecer nos programas de TV dizendo que ele era meu amigo mais querido, e que minha cachorra maluca lambeu o chocolate dele!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Mas será o caralho???


Olha, a gente vê que tá ficando velha de muitas formas.

Uma desastrosa é passar delineador na filha e depois passar em você mesma, numa pálpebra não tão lisa como a anterior...hehehe

Outra é ter um blog e viver se indignando com a juventude.

Eu não tenho cura, sou uma bocó, mas fico maluca vendo as meninas fazendo merda.

Tudo hoje na faculdade:

Uma garota da minha classe resolveu bater boca com o professor pouco antes da banca por alguma bobagem sem sentido e conseguiu baixar a nota geral do grupo dela (é claro). Ainda ficava resmungando que ele não pode isso, que ele não pode aquilo...
O bom e velho problema que esse povo tem com autoridade. Eles simplesmente não engolem alguém poder e eles não. Ai ai.

Outra garota fez um livro superbacana com a gente (sem revisão, já que a professora revisou), e depois de impresso, saiu caçando erros da dita revisão e achou um monte. Falei um milhão de vezes pra ela relaxar, que oq estava feito estava feito e que os professores com uma pilha de livros pra ler, nem reparariam nos preciosismos que a estavam descabelando...
Você me ouviu? Nem ela. Fez uma errata gigante (coisa de CDF amador) e encartou no livro. Resultado: a banca (exceto a própria professora que não tinha moral pra criticar a revisão que ela mesma fez) caiu matando na errata "desnecessária" e até o convidado dela comentou que os erros são muitos, mas serão corrigidos, etc e tal...
Ninguém teria falado nada e ela só teria recebido elogios se não fosse cabeça dura.
Uma pena, que o trabalho dela foi MUITO bem feito.

Uma terceira, que sumiu das aulas há quase um mês, aparece a bordo de um menino de boné e óculos escuros que nos é apresentado como "meu marido".
Peraí: a menina vai morar com o namorado que ganha um upgrade imediato na categoria relashionship e ela MUITO esperta, abandona o curso pra virar dona de casa e vendedora de produtos por catálogo?


Socorro.
Parem o mundo que eu, defititivamente, quero descer!


Estou precisando de férias.
Sonho com a Domingas Dias...
beijos




quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Enrolando pra não trabalhar...


Hoje na Folha de São Paulo, tem muita coisa bacana.
Primeiro uma coordenadora de escola particular que deu queixa na polícia contra uma aluna de NOVE anos, que a insultou e ameaçou no blog da escola.
Daí vem a polícia e a imprensa dizerem que estão desconfiados que a menor tenha sofrido algum abuso por parte da coitada da coordenadora, na inversão de papéis habitual.
É de foder.

Já que os pais não educam os filhos em casa, pagam as régias mensalidades das escolas particulares e passam abacaxi adiante.
Pra coroar, temos um estatuto da criança e do adolescente (que não poderia ter outra sigla que não ECA) pra proteger os monstrinhos.
Ano passado, deu um pau no colégio (de freiras - classe média alta) onde meus filhos estudavam , e os seguranças não conseguiram apartar por conta de não poderem encostar nos anjinhos.
Francamente...

Meu professor de estatística indutiva, que solta os melhores petardos do planeta, disse outro dia que se não fosse o "estatuto de proteção aos animais" colocava metade da classe ajoelhada no milho!


Ainda na Folha, o Contardo Calligaris (ai esse homem é maravilhoso) falando de amor, estabilidade e desafios. Um príncipe...
Variar é fácil, difícil é manter um casamento longevo. Eu nem faço muito esforço, que sou a pessoa mais sortuda da face da Terra, mas sei que mole não é!


Domingo fui almoçar na casa de uma amiga de infância que é suiça e a coisa mais fofa que existe.
O Marido dela (que trabalhava no Butantã quando a gente era menina e me arrumava ratinhos pra minha cobra ou pra criar como pet) fez um laguinho de carpas no quintal, de enlouquecer. Nunca tinha visto nada tão lindo, fiquei hipnotizada. O Freddie Mercury tinha adoração por carpas (Koy) e gastava fortunas com os laguinhos dele no Gardenlodge.
As carpas viviam morrendo por fungos e outras bobagens e ele mandava vir milhares de libras de Koys do Japão...
Se ele conhecesse o Marco com seu laguinho super bacana com um scanner ultravioleta que filtra a água e mata todas as bactérias nocivas, ele teria economizado uma grana!


Cheia de trabalho e preguiça, alguém se habilita?




quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Estuporando a banca.




Hoje tivemos nossa banca do PIC.
Nossa revista ficou bacana e foi superelogiada, mas não finalizamos com a atenção que poderíamos se eu e o Alex não estivéssemos malucos por conta de tanto livro reportagem... Mas deu um orgullho dela!!!
Enfim, primeira banca, a classe inteira no corredor, todo mundo mezzo apavorado, mezzo tranqüilo, o de sempre.
Três professores formando a tropa de banca, o Trigo e o Edu (dois queridos velhos conhecidos de todos) e a Márcia Detoni, que dá uma aula que não desperta grande interesse na gente (o que é uma puuuta pena, que o assunto é bacana, mas ela parece dominar mais outras áreas) .
Enfim, sobrevivemos todos.
A classe é grande e são poucas as oportunidades de todos ficarmos juntos e conversarmos.
Eu adoro quando isso acontece.
Temos de tudo: as Patricinhas (essas são várias) um único Mauricinho (antes assim), os meninos do Lance (os que trabalham e os que são fãs), China e suas chinetes, o pessoal dos pastores, os meninos amigos do Alberto, o Grupinho da Pâmela (que já assistiu aula com faixa homenageando o grupo RBD), o pessoal do terceiro semestre, a tropa GLS (essa é sempre a mais interessante, eu a-do-ro) alguns isolados por natureza, e o nosso.


Entra grupo e sai grupo, e aparecem as meninas de um grupo específico chamado Grupo da Pâmela. Elas sentam na frente do professor, mas fazem um barulho infernal, falam alto, riem alto...um saco (vide posts das cotas para idiotas).

O problema é que elas brigaram na véspera da banca (por algum detalhe da impressão do trabalho) e quase chegaram às vias de fato no elevador do andar da sala de redação. Foi um fuá, um barraco. E a Pâmela foi expulsa do grupo (chorou dois dias por conta disso, coitada).
Pois não é que na hora do grupo delas se apresentar à banca, elas aparecem vestidas de Chaves????
Fizeram um livro sobre a série de TV (eu não imagino tema mais escalafobético) e resolveram ser criativas na apresentação. O pior é que não teve apresentação, só banca.
Mas o fato é que as coitadas atravessaram o corredor vestidas feito umas malucas pra serem sabatinadas sobre um trabalho acadêmico.
A cara dos professores vai entrar pra história.

O Trigo com o a cópia do livro tapando a boca, o Edú rindo de nervoso e a Marcia não acreditando naquilo...
Foi muito engraçado.
Eu passei mal de tanto rir, ouvindo os comentários de TODOS os grupos da classe.
É triste, mas é verdade, a gente sempre se une quando encontra um detonador comum...

A UNIP, definitivamente, se supera a cada dia.
A sorte delas é que eu não sou professora (ainda).

hehehehehehe
(risada de bruxa)

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Gente infeliz.



A gente esquece que esse mundo é cheio (repleto, lotado) de gente louca e infeliz.
Não que haja motivo pra tanto, e mesmo que houvesse, a gente sabe que as coisas não funcionam assim.
Quem não tem motivo inventa, e muitas vezes, quem tem, sublima e toca a vida.

Tudo é motivo pra alguém maluco, mal comido, mal dormido e mal pago, se sentir desrespeitado e ficar bradando aos sete ventos que está profundamente ofendido.
Esse discurso vem, normalmente, acompanhado da mão no peito e olhar solene.

Eu fico vendo esse tipinho pobre de gente e a única coisa que me ocorre é que eles têm tanta vontade de viver a cores, como a gente vive, que tudo que sobra é a montanha de inveja, que vira raiva... e fica nisso.

Outra coisa que me ocorre , é que cada um tem seu papel, eles de tentar amarelar nosso filme e nós de deixarmos ou não.
Eu vivo ensinando pras crianças que a melhor estratégia (além de mais civilizada, é infalível) é ignorar solenemente, eu sou expert nisso.
Melhor tratar com a distância respeitosa dos animais no Zoológico do Maiakóvski.
Se a gente vivesse na selva, não teria que beber água no riacho com os gambás.

A natureza sim é sábia.
Não a humana, é lógico...

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Tem programa de cotas pra idiotas. Eu sei que tem.



Será o caralho que a gente é OBRIGADO a dividir espaço nesse mundo com gente burra, feia, pobre e idiota?
Não fosse o bastante, e o suficiente ter que dividir a sala de aula com meia dúzia de lavadeiras classe D, semi analfabetas e horrorosas , ainda é preciso trocar palavras com essa gente?
Ai socorro, meu catolicismo magnânimo insiste em me abandonar nessas horas de indignação...

Os filtros divinos funcionam, mas não como eu gostaria...
Hoje estou cruel.
Mas é o sincero espelho da verdade.

Quem nunca teve vontade de dizer, olhando bem nos olhos de alguma desqualificada que tenta ocupar um lugar próximo ao seu, nesse mundo de oportunidades:

Me larga, não enche
Você não entende nada
E eu não vou te fazer entender...
Me encara, de frente
É que você nunca quis ver
Não vai querer, nem vai ver
Meu lado, meu jeito
O que eu herdei de minha gente
Eu nunca posso perder
Me larga, não enche
Me deixa viver, me deixa viver
Me deixa viver, me deixa viver...
Cuidado, oxente!
Está no meu querer
Poder fazer você desabar
Do salto, nem tente
Manter as coisas como estão
Porque não dá, não vai dá...
Quadrada! Demente!
A melodia do meu samba
Põe você no lugar
Me larga, não enche

O Caetano Veloso é que me entende!!!!
Bjs aos meus amigos amados leitinhos A do meu coração de pedra.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Lesma a toda!



Voltei.
Pelo menos estou voltando... hehe
Bati todos os recordes possíveis de trabalho em excesso.
Revisei 12 livros em 40 dias, foi um inferno.
Uns poucos bem escritos por jovens talentosos e cheios de estilo, e o resto de chorar.
Enfim, trabalho é trabalho e a gente se dedica da mesma maneira aos bons e às bobagens.
Antes disso, brigando com a telefônica, que agora devolveu a linha que tinham retirado sem motivo, e me deixado sem speedy por uma eternidade.
A correria foi tamanha, que recebi o exemplar do último Harry Potter (que eu adoooro) muito antes de ir pras livrarias, com capa branca e cartinha de confidenciabilidade (fiquei “me achando”, é claro), mas ainda não abri. Escrevi a resenha da revista sobre a expectativa dos leitores e pronto.
Fiz uma propaganda pra UOL, uma bobagem, não queria fazer nem fodendo, mas o cachê era beeem bacana e eu ainda não estou podendo recusar grana assim tão mole!
Saiu o número dois da POP – um especial super bacana sobre o Rock Nacional dos anos 80 – tô vendo uma maneira de colocá-lo pra leitura on line.

Tô devendo visita e atenção pra (pelo menos) metade dos meus amigos, que são os maiores queridos e sabem que não é falta de vontade nem de amor, mas dessa vez eu me sobrecarreguei de verdade! E (quase) nenhum deu piti com meu sumiço.
Eu devo ser muito artista pra fazer parecer que é moleza, tocar a editora, os filhos, os freelas, o casamento e a faculdade... haha mas não tem moleza nenhuma. È muuuito foda e não sobra tempo mesmo, não adianta ficar puto comigo.
O Alex, meu amigo fofo que fez todas as capas, chegou a vir pra cá à uma da matina ( depois de sair do jornal) e ficarmos juntos trabalhando até as quatro, dormirmos um pouquinho e sairmos correndo pra faculdade as sete e meia.
Eu fico tão chata se não durmo, que fico com vontade de chorar... hahaha
Mas o sono já está em dia!
Até sonhei que tava dando pro meu cunhado, imagine... o irmão dele é muuuuito mais gostoso! hahaha


Ai quanto assunto ficou pra trás, que merda.
Mas vamos retomando aos poucos.
Beijos

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Osso duríssimo de roer.


Não voltei ainda, tô na faculdade.
Continuo em litígio armado com a Telefônica.
O prazo dessa vez foi dia 10, hahaha (eu contei que hoje quando liguei pela zilhonézima vez pra ver se tinham recebido minha soliciação de compra de outra linha, eles me pediram a escritura aqui de casa? É pra levar essa gente a sério?).
Enfim, melhor escrever antes que todos escrevam e não me sobre um único argumento original.
TROPA DE ELITE é o máximo. Mal o filme acabou, e eu e o Gregório já estávamos procurando o endereço de inscrições do BOPE pra nos matricular!
Não tive pena de um mísero baleado, nem dos estudantes.Tô ficando velha e intolerante.
Como alguém banana feito eu pode ser intolerante eu não entendo, mas lavei a alma (e fiquei lembrando do meu amigo Flávio que também deve ter adorado).
Tô cansada de ver comissões de direitos humanos pros presos e eu sem defesa.
Sou culpada por ter estudado, por morar em casa própria e por ter meu carro e uma ou outra frescura eventual.
Se dou esmola tô incentivando a prática de abuso infantil.
Se compro presente pros meninos da rua, tô facilitando.
Se deixo o Gregório subir o morro com a molecada pra empinar pipa, sou maluca.
Nem sei mais o que se pode fazer nesse mundo, tudo é risco.
Nessa medida (da pura falta de medida) melhor fechar os olhos pra raiz camuflada do problema e entrar pro BOPE. Dá a sensação de que a gente não é tão impotente.
É feio, mas é verdade.
Antes eles do que eu.
Bandido bom é bandido morto (de qualquer idade).

E digo mais pros amigos que adoram um baseado recreativo:
Vocês compraram a maconha na farmácia? No supermercado?
Melhor pensar nisso.
Eu entro pro BOPE e saio matando bandido e traficante, mas vocês param agir como se não existissem intercorrências entre o baseadinho e o crime.

Em tempo:Político eleito não pode mais trocar de partido.
Morri de rir!!! Como se fizesse diferença vc ser do PSOL , do PMDB ou da ARENA...
Não fosse o número de votos necessários pra essa ou aquela legenda,daria tudo na mesma.
Desde quando existe ideologia partidária no Brasil?
Quem mandou o Clodovil fazer festinha?
Se fodeu.
hehehe

domingo, 23 de setembro de 2007

O Cavaleiro e os Moinhos.


Sexta feira fui ver a montagem de Dom Quixote que está em cartaz no Teatro do Shopping Frei Caneca (se eu ainda não disse é um puuuta teatro bacana, com a iluminadora mais linda do universo).
Enfim, é uma montagem em cordel super bem feita. Eu acho aquela história muito triste, me devasta aquela necessidade de sonhar pra poder sobreviver. Não sei bem o porquê, mas acho de uma tristeza abissal. Fico na maior melancolia.
Essa vidinha Matrix me incomoda e me assusta. A gente achar que controla o incontrolável e que conhece o desconhecido é mesmo de assustar. O mundo é um lugar selvagem,e nós ficamos aqui dando palmadinhas no Rocinante tentando ver se algum de nós sabe o melhor caminho. As páginas seguintes têm seu encanto, têm seu charme, mas têm suas dores. E hoje eu estou meio sem fé...(ai, ainda bem que o Padre Maurício não entra nesse blog!).
Ontem foi o dia sem carro. Eu -que sou uma crédula vulnerável e idiota-, não jogo lixo na rua, respeito os velhinhos, não furo rodízio nem fila, entrego todos os trabalhos no dia certo etc etc etc... vivo me achando meio estúpida. Como fui bandeirante por quase vinte anos, obedeço a esse tipo de norma de conduta na maior facilidade (até demais, pro gosto do meu marido, que morre de rir da mina ingenuidade ocasional). Mas ontem não tive saída. Quebrei a cabeça pra ver como levar o Gregório com o amigo pro cinema, como havia prometido. Achei ridículo cancelar o programa pras crianças não acharem que ficar um diazinho de nada sem carro seria minimamente punitivo.
Não deu nada certo. Como alguém pode querer que uma criatura que esteja no pé da Serra da Cantareira fique UMA HORA (num calor indecente) esperando por uma bosta de ônibus caindo aos pedaços e sem lugar pra nem meia sardinha,e largue o Scénic na garagem?
Se você mora na Avenida Paulista, pode muito bem andar até o Trianon e ver o por do sol. Mas nós, pobres mortais que moramos em lugarezinhos classe média, ou ficamos em casa ou não sei.
Os caras inventam um dia sem carro, bolam umas programações bacanas espalhadas por essa cidade gigante e querem que a gente chegue até lá como?
Fiquei brava, acabei indo de carro, e passei vergonha ao invés de dar o exemplo como era minha pobre intenção inicial.
Ou o governo cria o dia sem sair, ou providencia transporte público.
Hoje estou o próprio Cavaleiro da triste figura!
Speedy? Que nada...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

K C2h4



Eu era maluca pelo Caetano Veloso quando era mais nova, e inventei de escrever o nome dele assim, quando descobri que C2h4 era a fórmula do etano, daí KC2h4 era como eu escrevia Caetano. Nem sei se tá certo, mas o fato é que há uns 25 anos pelo menos, eu escrevo assim.
Enfim... dona Canô fez 100 anos e ele foi capa da RollingStone do mês passado ( numa foto que eu adorei e meu amigo Alex odiou). Esse mês tá lá Grazi (bolsa família) na capa, numa foto linda de morrer, vestindo umas poucas pinceladas bem dadas.
Eu sempre gosto de ler as cartas dos leitores, que é um termômetro bacana pra saber como o veículo lida com críticas e bajulações em geral. E tava lá uma carta de um fulano querendo registrar seu “espanto" com a RS por ter se rendido a uma capa com o Caetano Veloso e tudo o que ele simboliza (coronelismo e cultura preestabelecida) .
Espantada fiquei eu. Quantos anos esse idiota deve ter? 18? Embora eu ache que com essa idade eles já deveriam ter aprendido a pensar antes de falar bobagens... Dou 18 no máximo.
O Caetano é o Caetano, embora eu não vá mais aos shows dele há alguns anos, por não ver mais muita novidade no repertório, sei muito bem que ele já cumpriu seu papel.
O cara já esperneou quando foi necessário e saiu daqui escoltado (o Chico Buarque que tem fama de ser muito mais politizado- saiu de fininho por conta própria, antes que a coisa fedesse pro lado dele).
Alguém conhece outro artista brasileiro que tenha dito metade do que ele disse em Black or White, Podres Poderes ou no (hoje) batidérrimo discurso de É proibido Proibir?
Eu é que me espanto em ver essa juventude de bundões arrumadinhos com carros filmados, profundamente decepcionados com o resultado da questão do Renan Calheiros enquanto vão pro shopping gastar dinheiro.
Bando de idiotas!
O Caetano já fez mais por esse país que qualquer outro artista. Não faz diferença se eu concordo, se acho que o discurso dele foi pertinente ou oportuno. Mas o caso é que ele fez alguma coisa, cantou, reclamou e se posicionou.
Na minha modesta opinião, a única grande rata da vida dele foi casar com aquela tresloucada, mas isso é passado...ele já pulou fora.

E pode passar o resto dos dias dormindo na rede em Santo Amaro da Purificação que o serviço foi muito bem feito.
Ninguém neste país se posiciona, mas criticam que é uma beleza.
A todos, o meu mais sincero “Vão tomar no cú”.


"Só um genocida em potencial, de batina, de gravata ou de avental,
pode fingir que não vê que os veados,
tendo sido o grupo vítima preferencial
estão na situação de liderar o movimento para deter a disseminação do HIV.
Americanos são muito estatísticos, tem gestos nítidos e sorrisos límpidos.
Olhos de brilho penetrante que vão fundo no que olham, mas não no próprio fundo.
Os americanos representam grande parte da alegria existente neste mundo.
Para os americanos branco é branco, preto é preto e a mulata não é a tal.
Bicha é bicha, macho e macho , mulher é mulher e dinheiro é dinheiro.
E assim ganham-se barganham-se perdem-se concedem-se e conquistam-se direitos, enquanto aqui embaixo a indefinição é o regime,
e dançamos com uma graça cujo segredo nem eu mesmo sei.
Entre a delícia e a desgraça, entre o monstruoso e o sublime.
Americanos não são americanos, são os velhos homens humanos
chegando, passando atravessando.
São tipicamente americanos.
Americanos sentem que algo se perdeu, algo se quebrou, está se quebrando”

Continuo sem internet, apanhando da discada. A Anatel jurou que até 4ª feira resolve (embora a essa altura eu duvide...)

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Abominável Mundo Novo.


Quando eu estava no primeiro colegial no Rio Branco, ganhei uma bolsa (em algum concurso de redação, ou de palpite na vida dos outros – minhas atividades favoritas) pra um Kibutz em Israel.
Quase morri de felicidade, mas acabei não indo por conta do pavor que minha mãe tinha dos “boatos de terrorismo” que foram apenas boatos, por pouquíssimo tempo...
Tinha acabado de ler um livro sobre o socialismo e achava tudo aquilo maravilhoso. Até porque, como etapa anterior do comunismo, o socialismo tinha mesmo essa função sedutora (que cumpria muitíssimo bem).
Um Kibutz, pra mim era o máximo da perfeição. Não havia ideal mais bem concretizado que crianças crescendo juntas, mulheres trabalhando juntas, homens fortes e serenos dispostos ao esforço físico e intelectual. Todos valendo a mesmíssima coisa, todos igualmente valorizados, sem propriedades, sem imperialismo blá blá blá.
Meus amigos que foram, mandavam aquelas fotos típicas deles colhendo laranjas...
Até hoje me pego sonhando em viver numa comunidade organizada por princípios comuns (já avisei que aqui a maturidade não tem vez).

Enfim, dia desses, li no Estadão uma matéria elogiosa sobre a “adequação dos Kibutz” aos novos tempos.
Como a maioria deles entrou em processo falimentar, os dirigentes (e moradores) começaram a vender terrenos dentro da propriedade (onde uma casa simples chega a valer U$70.000) e categorizaram a remuneração dos trabalhadores. Quanto mais preparado e com mais estudo, maior o salário.
Peraí: agora tem propriedade privada e programa de cargos e salários num Kibutz????

Olha gente, é melhor correr. O mundo tá mesmo acabando.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Vede o pé do Ypê...



Não é a primeira vez que eu sento aqui pra escrever sobre uma coisa e escrevo sobre outra completamente diversa.
Tencionava escrever sobre o quanto eu gosto de rever alguns filmes e seriados pela sensação nostálgica, pela memória contextual que a gente revive, mas fui atropelada por uma música maravilhosa.
Tava aqui agradecendo aos deuses pelo frio úmido e maravilhoso deste começo de noite, e lendo a coluna do Matthew Shirts de hoje. Na coluna, (sobre um percurso de ônibus) ele cita preciosidades dos anos 80, e entre elas um romance do Reinaldo Moraes chamado Tanto Faz.
Na hora eu lembrei desse livro, e fui procurar, morrendo de medo de ter emprestado pra algum amigo que não me tivesse devolvido. Mas tava lá (ainda bem que eu não emprestei pra ninguém, vivo perdendo livros que empresto).
Enfim, abri o livro (que foi comprado em 1983, na extinta Livraria do Bexiga – que ficava na esquina com o Café Soçaite) e dei de cara com um verso que escrevi na primeira página, de uma canção do Belchior.
O cara é de uma poesia impossível.
Eu lembro a força das letras dele e o entusiasmo que dava quando a gente tinha 13, 14 anos e se esgoelava cantando Como Nossos Pais, Velha Roupa Colorida ou Na hora do Almoço (que era sempre a segunda música que se aprendia no violão, a primeira era a do Vandré).
Tudo outra vez ou Todo sujo de batom são textos maravilhosos (e são tantas as letras maravilhosas dele que eu nem vou me dignar a ficar listando).
O cara nasceu em Sobral, trabalhava na feira, ralou pra entrar na faculdade de medicina e quando entrou, largou tudo pra viver de música.
Ele sempre aparece de cachecol nos shows. Deve ser coisa que gente que vivia num lugar quente feito o Ceará achava bacana, mas não dava pra usar! Eu fui a muuuuitos shows dele e adorei cada um. Uma amiga minha me provocava dizendo que aquele bigode dele escondia uma cicatriz de lábio leporino... aiai.

Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes (só chique assim pro cara usar o imperativo afirmativo numa música...)

Contemplo o rio que corre parado
E a dançarina de pedra que evolui
Completamente sem metas, sentado
Eu não tenho sido, eu sou, não serei, nem fui
A mente quer ser, mas querendo erra
Pois só sem desejos é que se vive o agora
Vede o pé do Ypê: apenasmente flora
revolucionariamente apenso ao pé da Serra.

De minha parte, eu faço coro com a Rita Lee e pergunto:
“Ai meu Deus, o que foi que aconteceu com a música popular brasileira?”

Ps: As duas últimas linhas da música – que por sinal chama Ypê – são as tais que eu escrevi na primeira página do livro.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Perversidades, literatura e devaneios


Muito trabalho. Trabalho pra caralho.
Pelo menos meu pé deu uma trégua.
A Pat me escreveu dizendo que gota era a doença dos reis. Essa mulher impossível consegue ver alguma coisa boa até nessa gota infernal, ela é o máximo!


No meio da trabalheira infernal de hoje ainda tive que apagar hoooras de um incêndio idiota que aconteceu na minha ausência com meu grupo de trabalho na faculdade.
Ai que saco, como se a gente não tivesse um mundo de coisas pra fazer e a oposição não desse trabalho o suficiente, ainda tem quem resolva rachar o que até então dava muito certo. Certo até demais pelo visto.
Tá bom que são todos novos, mas é de matar.
Eu tenho uma paciência inacreditável, mas não vou agüentar outra dessas. Eu não posso fazer nada com quem simplesmente não aprendeu a se relacionar.
Eu agüento um pouco, depois canso.
Como diria uma amiga minha, isso é pura falta de um bom tanque de roupa pra lavar. Eu tenho o meu, lavo a roupa e minhas mãos...

Comprei dois livros, um pra faculdade e outro que eu queria ler há tempos. Abusado do Caco Barcellos e As Sociedades Secretas Mais Perversas da História.
Esse segundo (que é claro que eu vou devorar antes) é da mesma britânica maluca (Shelley Klein) que escreveu As Mulheres Mais Perversas da História e é um puuuta livro (eu li quase metade em pé numa noite de autógrafos de uma autora nossa em Curitiba). Pra mim, que vivia dizendo que mulheres não são capazes das mesmas crueldades que os homens praticam, foi bastante esclarecedor...

Sem querer, descobri que a tradutora é a Magda Lopes que já traduziu livros pra mim e é uma mulher muuuito legal! A gente se divertiu muito quando ela tava traduzindo a biografia do Ozzy (com direito a gírias e palavrões Osborneanos)... Foi uma das edições mais divertidas que eu fiz (fora o detalhe que ela manda tudo num português tão correto, que a gente fica mimado).
Enfim, recomendo os livros da Shelley, a bio do Ozzy e a Magda!!!!

Esta noite tive um sonho cômico-erótico impagável.
Eu tinha três maridos (pobre de mim), o Caio, o Matheus Nachtengaelle e o Paulo José (além de repetir o marido de sempre, ainda arrumo outros dois bem curiosos).
Eu queria trepar com o Paulo José e o Caio ficava empatando a foda. A gente quase conseguia e ele aparecia e cortava a onda... esse meu marido não me libera nem em sonho...aiai


Depois eu conto mais do livro novo!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Vascolejando o léxico.


Palavras.

A fonte maior.
Não fossem elas, e a arte de usar cada uma em um devido lugar e ordem, que graça teria a gente se meter a escrever?
Mas há algumas que a gente não pode mais usar.
Um autor nosso, mandou um original pra eu revisar, cheio de entidades.
Tive que substituir cada uma e mandar uma ressalva ao coitado, pedindo pra esquecer as ditas cujas.
Entidade perdeu completamente o significado de pessoa jurídica e de qualidade excepcional, para virar santo baixado em alguma coisa ou alguém.
As entidades, antes conceituadas, agora estão condenadas às mesas brancas e terreiros em geral.

Irmão e irmã (irmãozinho e irmãzinha), viraram propriedade dos evangélicos, que se apropriaram não só da palavra mas do sentido. Usurparam até o termo Senhor Jesus; que hoje remonta diretamente às chatas de saias azul marinho que tentam fazer lavagem cerebral de porta em porta. Ai que raiva.

Graças ás legendas e dublagens mal traduzidas, vadiar virou prostituir-se.
Minha bisavó tinha uma arara, e se referia a ela como animal maneiro (de vir comer na mão), maneiro hoje só serve pra texto da Malhação com aquele insuportável sotaque carioca.

Tem aquelas com as quais a gente implica: eu odeio a palavra escroto, não falo e me arrepio só de escrever.
A Sophia, quando era pequena, não podia ouvir babaca.


E tem as que a gente inventa. Essas são ótimas! Eu sou (junto com a Gianna) criadora e usuária contumaz da terminação ura.
Muito bonito é uma bonitura.
Muito chato é uma chatura.
E por aí vai ...
Diminutivo de nuvem? Nuvinha!
A Sophia inventou a fofuce.
Quem é fofo faz fofuces.

Eu escrevo pra uma revista adolescente, e como tal, uso e abuso do óóótemo, muuuuuuuito e supermegamulti... É uma delícia escrever assim!

É preciso alguma intimidade e liberdade pra poder brincar com as palavras.

Palavras têm (esse acento vai dançar após a próxima reforma gramatical – que merda) o poder de enlevar ou derrubar vertiginosamente o escrevente ou escritor.
O termo “escolhendo as palavras” confere cautela, mostra preocupação com o conteúdo; é o máximo! Todos deviam escolher bem as palavras.

O Caetano é mestre em brincar com elas e desenterrar algumas esquecidas (como quando chamou a vida de tacanha na música tema de Tieta). O Chico também domina, mas o Caetano como criador infinitamente mais pop, cumpre essa função de desempoeirar o léxico!

Crista do desejo o destino deslinda-se em beleza: Outras palavras

Adoro sublinhar, enfatizar, e trabalhar com elas.
Grande amigas as palavras.


beijinho pra Tânia Sandroni, que inspira o cuidado com o texto e a paixão pela palavra bem escolhida.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Páginas de um livro bom.


Ai a juventude.
Eu vivo me surpreendendo, me decepcionando e me encantando com ela.

Tem umas coitadinhas que leêm meus arroubos anti babacas juvenis e depois postam graaaandes novidades em seus bloguinhos como se tivessem descoberto a américa.
Mas tem as que me encantam.

Duas especialmente: a Isa (filha emprestada da Reco) e a (minha sobrinha amada, idolatrada, salve salve)!
A Isa foi pra Londres e está apanhando das linhas de ônibus e dos horários do metrô, em contrapartida, já aprendeu a lavar roupa e tá se virando que é uma coisa.
A Fá entrou na faculdade em Maringá e está lá sozinha, com sua graninha e seu carro novo! Tão decidida, tão doce, tão forte e tão bebê... tudo ao mesmo tempo.


Eu fico aqui pensando o quanto é velha, batida e fora de moda essa conversa de querer a expectativa de vida e as oportunidades da juventude com nossa cabeça madura! Mas que dá vontade, ai isso dá mesmo!
Imaginem poder recomeçar, poder escolher de novo, ter outra chance...

Hoje um amigo que há quatro anos se bandeou pro Piemonte, me contou que com 60 anos, vc ainda é mão de obra contratável na Itália... hahaha
Aqui logo o bilhete perde a validade.

A gente vive como se jogar um dia fora não fizesse diferença, mas faz.
Não dá pra negociar, nem pra pedir de volta o tempo que passou.
Eu, pelo menos tenho poucos arrependimentos. Deve ser foda fazer a conta da vida e ficar devendo. Deus me livre!
Não custa lembrar que o tempo tem sempre pressa.


Meu alento é saber que toda a vida que minhas meninas queridas têm pela frente, promete ser bem vivida.
Mas alento mesmo, seria poder viver tudo com elas, já pensou???

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

He is still in the building!


A gente sempre lembra onde estava quando recebeu uma notícia importante.
Eu estava saindo de casa pra aula de ginástica de solo, e cheguei no clube com a bomba: O Elvis morreu!
Pra ser sincera, nem sei quando eu ouvi ou quem gostava do Elvis na minha casa (meus pais eram meio aliens, viviam um pro outro de uma maneira tão maluca que em casa não teve Golpe Militar, nem Festivais, nem Elvis, MDB ou Arena, só os dois... ah e o Roberto Carlos - numa dose tão massacrante que eu não consigo ver graça nele até hoje); mas eu gostava muuuuito.
A primeira vez que fui ao cinema sem adultos junto, foi pra ver Elvis não morreu com a Vitória! O cinema tava vazio e nós choramos abraçadas na hora da morte da mãe dele no filme.
O homem era uma delícia!
Imaginem que naquela época, sem TV, sem porra nenhuma em termos de divulgação de massa, ele foi quem foi, cantando música de negros (que sentavam nos bancos de trás dos ônibus), com aquele rebolado impossível e sem nunca ter feito um único show fora dos Estados Unidos. Tá bom, ele cantou uma vez no Canadá, mas Canadá não conta!
Casou com a maluca da Priscilla (que dava pros seguranças todos, sempre que ele saía pra trabalhar), colecionava estrelas de xerife e prescrições médicas!
Elvis quase não bebia e detestava drogas (ilícitas).
O cara era caminhoneiro, era um broncão que chamava todo mundo de Sr e Sra.
Lindo de morrer!

Eu não posso com esse homem na época das roupas de couro pretas... (suspiro com os jumpsuits também, mas com roupa de couro era fo-da.)
Graceland (a casa dele em Memphis) é o segundo lugar mais visitado nos EUA, só perde pra Casa Branca- com o pequeno detalhe de que a visita à Casa Branca é gratuita e pra entrar em Graceland você morre com U$20!
Os Beatles eram loucos por ele (que tinha um ciúme danado do sucesso que os meninos faziam) e forçaram um encontro depois de muitas esnobadas do Rei! A visita foi bem, eles conversaram, cantaram juntos e na hora em que estavam saindo um dos quatro (niguém sabe exatamente quem foi) virou pro Elvis e perguntou se ele não queria ser o quinto Beatle. Elvis respirou fundo e respondeu “não, muito obrigado, mas quem sabe vocês quatro possam se juntar e ver se conseguem ser Um Elvis!”.
O cara era o cara!
Ai ai.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Bonequinha sem teto.


Tem coisa mais bacana que filme do começo da década de 60, rodado em Nova Iorque?
Eu vejo Bonequinha de Luxo e Descalços no Parque milhares de milhões de vezes e adoro cada vez mais.
Aquela felicidade urgente das protagonistas, aquele descompromisso e o machismo maravilhoso implícito em “elas são doidinhas, vivem no mundo delas e nós pagamos as contas e resolvemos os problemas, baby”. Ai quem me dera...
Eu conheço mulheres que fazem questão de peitar a quebradeira das ondas, eu sou capaz disso, mas prefiro que um príncipe inteligente e gentil faça isso por mim.
Que pegue fila no banco, que me defenda dos perigos desse mundo, e que passe a mão na minha cabeça (de vento) e diga que “já passou”!
Nem de dirigir eu gosto.
Adooro ir esparramada no banco do co-piloto, olhando as casas, os jardins e falando pelos cotovelos, sem ter que prestar atenção à coisas menores como caminho, trânsito e farol.
Podia nunca me preocupar em saber quanto foi a conta do restaurante. Isso não faria a menor falta na minha vida!
Eu podia tranquilamente morar numa casa de madeira na montanha cheia de neve e passar o dia fazendo tortas, bordando, lendo e cuidando da vida.
Sou uma preguiçosa voraz.
O problema é que alguns homens querem a mesmíssima coisa e não se pode ter duas madames numa história só!

Outra coisa que eu gosto nesses filmes é a despretensão em ter uma postura “recomendável”.
Era uma época em que a arte era mais distante, podia ser observada e não vivida com tanta facilidade.
Fumava-se, bebia-se MUUUITO e tudo bem.
As dietas eram todas na base de Dry Martini e piteiras (ai que chique).
Eu não fumo, nem bebo, mas a questão não é essa, é o poder fazer sem ficar pensando nas milhares de conseqüências possíveis.
Poder ser inconseqüente sossegado é uma libertação.

Hoje em dia, a gente não pode beber, nem fumar, nem trepar, nem nada.
Tudo tem intercorrências sociais, exemplos e satisfações dar, gente pra achar isso ou aquilo, um saco.
E eu nem sou daquelas que liga muito pra torcida, mas os tempos são esses.
Não tem mais lugar no mundo pra Holly Golightly fora das telas.
É uma pena.



GENTE, HOJE ACONTECEU UMA COISA INACREDITÁVEL: NASCEU UMA PINTA NA PALMA DA MINHA MÃO. ELA NÃO ESTAVA AQUI ONTEM, EU JURO!!! COMO É QUE PODE UMA COISA DESSAS??????

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Janelas.


Eu sempre precisei olhar pra alguma coisa bacana.

Não preciso de luxo, mas de umas plantinhas pra me refrescarem o espírito.

Da janela do meu quarto, vejo a árvore que um passarinho plantou na frente de casa há uns quinze anos e está enorme... se os gatos não estão na floreira, vez ou outra aparece um esquilo ou uma coruja.

Uma vez acordei com um passarinho pousado no travesseiro do Caio (que já tinha levantado). Tomei um puuuuta susto (imaginem o passarinho...).
No escritório de casa, onde eu passo a maior parte do meu tempo, tenho uma porta de vidro que dá pro corredor do quintal, e um monte de plantas.

Como adoro chuva, tenho uma nuvem com pingos pendurada ao lado da tela do computador. Venho trabalhar, abro a porta e já fico feliz da vida.

Ai como eu me contento com pouco... mas é assim mesmo.


Tenho a mesma sensação de alegria e leveza sempre que chego na faculdade.
Parece coisa de gente louca, mas é tudo tão tranqüilo, os professores tão queridos e meus amigos tão perfeitos, que vira puro prazer. Vai tudo fácil (estou desconsiderando completamente a existência da estatística indutiva na grade), e eu sou maluca por aquela meninada. Como (graças aos ceús e aos mais de quarenta anos) estou além de me preocupar em ser querida ou de causar boa impressão, falo o que bem entendo e me divirto muito.
Sou louca por gente.

Gente é minha especialidade.

Adoro conhecer, perguntar, responder, tocar, conhecer...
Gente nova é um refresco pra alma.
Todo mundo devia sair de casa, levantar a bunda da cadeira e arrumar alguém pra uma boa conversa fiada.

Prescrição indicada à todos!

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Susuca.




Ela é a menina mais bonita do mundo inteiro.
Foi o bebê mais perguntador e com mais dobrinhas que eu já vi.
Foi o começo do fim da minha existência hedonista e self centrada.
A força do espírito feminino se mostra a cada vez que essa fadona japonesa senta do meu lado pra conversar.
E ela conversa, ela canta, ela conta do menino da escola que ela adora (e ele tem só dez anos a menos que ela), se atrapalha e se desatrapalha.
Ela faz as caretas mais lindas do mundo e é a criatura mais doce que existe.
Ela tá quase indo pra faculdade e dorme com o rosto sobre as mãos, como uma criança.
Quer ir morar sozinha, e quer dormir na minha cama.
Ela só me chama de mamãe.
E eu quero a felicidade dela com tanta força que me falta o ar.
Quero que as amigas sejam irmãs (já que eu não arrumei uma irmã pra ela, mas compensei com uma prima perfeita).
Que o irmão seja amigo.
E que o Ringo nunca mais morra pra ela não sofrer.
Quero que ela ria e consiga.
Quero que ela consiga e conquiste.
Quero ela sempre comigo.
Mesmo quando não der, eu vou querer (tá no contrato, em letras miúdas, a gente pode pelo menos querer...hehe).
Ela tem as melhores idéias malucas e os conselhos mais bacanas.
Tem a cabeça na Lua e o corpo em Vênus (pobres terráqueos).
Ela faz tudo direito e anda na velocidade certa, sempre.
É a minha bonecona, meu orgulho e minha maior dor de cabeça.
É aquela bomba atômica que explode de alegria no meu peito quando ela entra em casa e me chama antes de largar a bolsa.
É a Sophia.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Apapú.


Lançaram o tal Cansei.

Reclamaram da elite do Cansei e do que poderia estar por trás dessa iniciativa.


Melhor abafar.

Neste país organizado e cheio de gente que levanta a bunda da cadeira pra reclamar das coisas, a gente tá mesmo podendo esnobar mobilizações sociais de protesto.


Eu não sei como funciona com a cabeça dos outros, mas na minha, se a água usada pra apagar o imenso incêndio brasileiro veio da piscina do Lalau, ou do filtro do Dalai Lama, não faz diferença. A gente apaga a porra do incêndio e depois apura de onde veio a tal água e cuida de onde virão as seguintes.

A coisa tá preta demais, foi longe demais é muito fogo.

A gente não tá em condição de esnobar nenhuma iniciativa.

Eu apoio até escoteiro na rua com um pequinês na coleira reclamando do estado em que chegamos.

Mas aparece um babaca dizendo que trabalhador não pode se dar ao luxo de cansar, que pobre não cansa... Cansa sim, meu bem. Mas por conta desse pensamento de "ter coisa mais importante pra fazer" é que as coisas chegaram onde estão.

Se a gente lá atrás não tivesse começado a pagar escola particular ao invés de forçar ensino público a ter qualidade, as coisas talvez fossem beeeeeem outras.

É de foder.

Eu me sinto uma chata por reclamar das coisas e achar o cú do gato ter que pagar plano de saúde, escola particular, segurança na minha rua e vacina de gripe.

Eu queria que meu dinheiro fosse todo pra complementação de um básico que o governo deveria proporcionar.
Eu queria que as pessoas se indignassem e não permitissem uma série de comportamentos abusivos.Eu queria tanta coisa...

Mas é como diz meu sábio filho de 12 anos: Apapú...taquepariu!

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Vivendo e aprendendo a jogar.


Eu tive um namorado que foi hiper determinante na pessoa que aprendi a ser, que cunhei...
Metida que sou, com 15 anos resolvi namorar esse fulano que tinha 23, estava na segunda faculdade e era o cara mais sabido que eu já tinha visto na vida...
E ele era daqueles que te levava junto, mas não ficava esperando muito não.
Eu me matava nas braçadas pra acompanhar o ritmo dele e sem perceber, acabei aprendendo a andar por conta prórpia. Isso é uma coisa que eu nunca vou esquecer.
Ele aparecia com Porcos com Asas (isso em 1980), com VHS's do Fassbinder e do Bergman e eu tinha que dar conta de absorver e "entender" tudo. Sem trégua. Era foda, mas foi isso que me salvou de ser medíocre como era o plano inicial...
Mesmo ele tendo se revelado um bobão sem coragem pra vida real, que acabou ficando pra trás, o mérito é todo dele.

Agora o Bergman morreu e eu achei a única coisa que guardei desse namoro, minhas cópias de Fanny e Alexandre.
Esse filme é auto biográfico e é um retrato familiar contundente.
O pai morre, a mãe casa com um bispo carrasco, e a história vai indo. O pai do Bergman era religioso e era ultra rígido, muito provavelmente tanto quanto o personagem...

Tenho uma irmã mais nova que eu não entendo direito e não consigo amar simplesmente com a mesma força maluca com que amo a mais velha. Mas é irmã também e eu vez por outra quebro a cabeça pra ver se consigo entender os caminhos que ela escolhe.

Dia desses, estava comentando com a mais velha sobre o papel que Harry Potter faz com os adolescentes (ou que deveria fazer). O cara é órfão, fodido, largado e come uma dose considerável de grama. Nem por isso choraminga e vira vítima deste mundo atroz e cheio de injustiças.
A vida é assim, não espera mesmo, não adianta reclamar.
Não fez direito, perdeu.
Não cuidou? Morreu.
Assim simples.
E é bom mostrar isso pra quem tá crescendo, pra aprender que é aceitar e partir pra outra. Entender não dá, e concordar, menos ainda!
Essa crueldade da vida é que ensina.

Sejamos pois cruéis com os mais novos, que é muito melhor pra eles.

sábado, 28 de julho de 2007

Saneamento já!


Voltei!!!!
Descansei, fui pra casa da minha irmã (que sapateia soberana no meu coração de pedra) namorei passeei, inverti os móveis do salão, troquei a Net pela Sky, pintei uma parede de casa, li e foi tudo!
Depois eu verso sobre Campos, sobre o frio, sobre aviões que são derrubados pela incompetência de quem deveria cuidar que eles voassem, e sobre tudo o mais...
Fui no cinema ver Saneamento Básico, esperando um filminho bacana, e saí do cinena pasma com tanta bacanura!
Sim, meus caros, existe Brasil sem carioquês, sem armas, sem favela e sem sotaques nordestinos.
Existe um Brasil simples, onde não faz um puuuta sol e não tem praia.
Dá pra sair do eixo obrigatório: pau a pique nordestino, calçadão carioca & trânsito paulistano.
Existe um Brasil europeu. Um Brasil lindo de morrer.
Eu, que tava de saco cheio de Pan e de “bem amigos” e aquele ranço patriótico wanna be Copa do Mundo... (ai que fiasco) morri de orgulho!!!
O Jorge Furtado que fez o filme (depois do Homem que Copiava- que é bom , mas me faz sofrer até hoje com o mistério da galinha no armário da cozinha – se alguém entendeu aquilo, por favor me explique)e os atores todos.
O filme é um retrato fidelíssimo desse nosso país.
Uma crítica tão suave, tão afiada tão exata...
Vá lá que o filme tem uns cortes meio tropeçados, imaginei que a pós produção tenha sido feita na carreira.
A fotografia é limpa e linda. A trilha é toda em italiano...Io che amo solo te... aiai
Tem uma cena do Wagner Moura de moto, numa estradinha daquelas... lindo lindo lindo!
O filme é o triunfo da beleza do simples.
O Paulo José é tão doce e frágil que eu passei metade do filme com medo de ele morrer...(igual a Mr Holland Opus).
Numa determinada cena, o Lázaro Ramos fala que ta feliz de mostrar pra todo mundo que é possível ser artista sem ter que ir pra Porto Alegre (eles tão numa vilinha perto de Bento Gonçalves).
E é isso mesmo.
Dá pra fazer direito sim, sem ser Hollywood nem Globo.
Dá pra ter uma vida simples.
Dá pra não almejar o mundo inteiro e abraçar aquilo que os braços dão conta.
E dá pra ser feliz com pouco, se esse pouco for bem escolhido.
Saneamento Básico.
Assistam.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Saideira...




Sentei aqui pra escrever um monte de coisas.
Queria falar dos católicos, das missas em latim e de um monte de coisas em que andei pensando.
Mas acabei de ver as horas e tô super atrasada.
Se conseguir uma janela pra escrever durante minhas adoradas férias, eu apareço.
De qualquer maneira, ouçam Mika (tu-do) e Amy Winehouse (Rehab, especialmente).
Beijos (ai que saco não ter tempo pra escrever o que eu queria.)


Dá tempo de dizer que eu to morrendo de saudades da Leda.

domingo, 8 de julho de 2007

O futebol & as mulheres.


O Daniel Piza tá hoje no Estadão, todo pampeiro explicando o amor dos homens pelo futebol.
O Grê joga bola até dormindo e o Caio é fanático.
Meu pai nunca ligou, sempre foi um são paulino morno, não lembro de vê-lo assitir um único jogo (que não fosse do Brasil na Copa, mas aí eu via junto - viro técnica entendidíssima de quatro em quatro anos, como a maioria das mulheres).

Meus dois avós eram super amigos, mas um era corinthiano (o Badé) e o outro são paulino (Vô Mário). O vô Mário ficou anos na cama após uma sequência de avc's , e a diversão do Badé era dizer pra ele que o São Paulo tinha sido rebaixado pra segundona...

Essa fissura do Caio por futebol me bota louca.
Quando a gente namorava, vivia pegando o carro nos feriados prolongados e indo até o Paraguai comprar bobagens e brincar de Paris Dakar. A rota mais bacana era atravessar o Paraná por dentro das fazendas que cortam alguns caminhos. Ele parava pra ver pelada de bóia fria, e torcia! Eu achava uma graça (não dimensionava que aquilo era a ponta do iceberg da verdadeira paixão da vida dele)...

De domingo ele vê os jogos e as mesas redondas to-das e ouve atentamente qualquer criatura que esteja na telinha disposta a comentar o jogo do Ribeirino contra a Ponte Alta, que acabou em zero a zero.
Quando o Palmeiras joga, eu não posso ficar junto porque sou "pé frio"! Me recolho à minha insignificância ante o futebol e me retiro de campo!
Aliás, quando eu quero que ele faça (ou confesse) alguma coisa é só pedir pra ele jurar pelo Palmeiras...

O futebol é o refúgio deles todos. É um alívio que as mulheres não gostem, não entendam e não participem.
Onde mais eles conseguiriam ter paz, sem a gente alí "existindo"?
Eles devem odiar em segredo mulher que dá palpites futebolísticos pertinentes.
Guardadas as devidas proporções, eles merecem a ilha de masculinidade Flintstone que o futebol porporciona, sejamos justas.
Sobrou pouco terreno pros homens; nós podemos tudo, nós estamos com os pés em todas as portas do mundo.
O Clinton tá fazendo campanha pra Hillary que tem boas chances de governar o mundo americano.
O Talibã dançou e devagar as coisas mudam até onde não se sonhava que pudessem mudar.
Eles resistem pouco. Abrem mão das altas posições conquistadas, pra que nós meninas cheias de amor pra dar e serviço pra mostrar, entremos triunfantes.
Mas o futebol é deles.
Eles estão no direito deles.

Mas que tem hora que é de foder, lá isso é.


Obs: Um beijo na boca do Élio Gaspari que tá com uma coluna perfeita hoje.

sábado, 7 de julho de 2007

California Dreaming... (pro Mr.Elias Mansurf)


Quando era tudo mais leve.
Eu ouço falar em jornalismo romântico, fotojornalismo romântico, literatura romântica.

O “romântico” remonta à tudo que era feito beeeem antes...
Tem alguma ligação com a época em que as coisas eram mais manuais e menos automáticas e instantâneas.
Não é preciso mais esperar pra nada.

Eu lembro de uma música que gostava há 20 anos, ou que acabei de ouvir numa trilha de filme no cinema, corro pro Kazaa e baixo em minutos.
Foto digital...haha, quem lembra de ficar esperando os malditos três dias que demorava a bendita revelação?

Máquina não tinha zoom (nem cor), e das 24 chapas, duas ficavam bacanas, mas a gente guardava tu-do!
A emoção toda das coisas virou uma ejaculação precoce: Quero...já consegui.
Ainda gosto de ficar horas garimpando CD’s nas lojas, mas não é mais pela fissura de ouvir aquela determinada música que te catapulta pra uma circunstância passada super especial.
Isso é foda, e é muito difícil de mensurar a falta que a espera fará pras gerações futuras.
Nem tô considerando a doença de contentar filhos que os pais têm, essa endemia de toma- logo- tudo- o-que- lhe- é- devido. Tô falando do ritmo em que as coisas acontecem hoje.
Quando eu queria beijar um menino era aquela agonia infinda até alguém tomar coragem, desistir ou quebrar a cara. E tome páginas do diário e horas no telefone com a melhor amiga...
Hoje é tudo jogo rápido, se um quer, logo faz o outro saber e se resolve a questão numa ficada.
E as cartas? Porra... Carta demorava anos pra chegar, e era aquela espera deliciosa, aquela tortura doce de saber que dia o carteiro passava e cultivar uma cumplicidade que pela cara dele, você já sabia se a carta tava lá...

Eu quase morri de felicidade quando ganhei minha máquina de escrever, assim que entrei na faculdade... O Jorge Amado nunca escreveu em outra coisa (eu não sou assim tão fiel...)

Loja 24 horas? Nem pensar... Minha mãe voltou ontem da Europa e ficamos comentando como o ritmo da vila italiana onde o namorado dela mora é tão outro, que nem parece outro continente, mas outro planeta.
Ninguém era santinho nos anos 70 e 80, ninguém ficava marcando passo. Mas a conquista dava mais trabalho, a vida era em outras cores, que eu insisto em apreciar até hoje (os DPI's eram beeeem outros...).
É a globalização, a rede, e a puta que pariu...
Agora a vida virou business, é tudo sem tempo pra perder, é tudo urgente.
Será que o mundo tá mesmo acabando ou eu só to ficando velha??

Duvido que se a Carolina ficar na janela consiga ver o tempo passar nessa pressa.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

O Rei está nu.


Depois da baixaria que foi a proibição da venda do livro “Roberto Carlos em detalhes”, o autor decidiu enfim recapitular.
Não sou especialista em direito autoral estou muuuito longe disso, mas vou pela Liberdade de Imprensa e de Expressão, que não há de ser desdita pelas leis de proteção autoral e violação de privacidade...

Não li o livro inteiro, (nem tenho o menor interesse em saber em que armário o Rei guarda suas pernas de pau-embora tenha sabido através de uma fonte quentíssima, que Nice a primeira esposa, escondia as dita cujas, quando achava que ele tava querendo aprontar....) hahaha (nem isso está dito no livro, que surfa sobre essas bobagens).

Enfim, não li tudo mesmo, mas dei pra minha mãe no Natal do ano passado e na praia, enquanto eu batalhava ingloriamente contra o tom palmito de minhas pernocas, ela ia me contando sobre o que lia e eu dava umas sapeadas. Livro traz um contexto histórico da música da época que impressiona.
Nosso Rei é uma pessoa pública que sempre contou em detalhes (ai...) seu universo particular.
Tá lá pra quem quiser ver, que ele queria trepar sossegado e as crianças não tavam um tempo em “Quando as crianças saírem de férias”... e em outras mais... que bobagem!

Esse autor escreveu outro livro chamado “Eu não sou cachorro não”, que eu li quando estava preparando meu projeto de iniciação científica(que é sobre a música popular brasileira durante o golpe militar) e adorei. O cara tem um dom pra ver outros aspectos das coisas.
Nesse livro, ele não fala do Caetano, do Chico nem do Gil, mas do Agnaldo Timóteo, Waldick Soriano, Lindomar Castilho e outros “músicos de direita” que apanharam tanto quanto os demais, mas ficaram sem os louros da glória da resistência. O cara é muito bom.

Mas o Rei não gostou, se sentiu invadido.
Num primeiro momento, eu achei que era tudo uma puuuta jogada de marketing, mas não era não, era uma puuuta baixaria mesmo. A começar pelo tempo record em que a ação correu...

Eu me canso dessa gente que vende a alma pro diabo e depois não quer entregar a mercadoria.
O vocalista da banda americana Pearl Jam, andou reclamando da exposição da figura dele e do interesse dos fãs por sua vida privada... algum incauto respondeu: se você não tava a fim de pagar o preço da fama, devia ter ido trabalhar no McDonald’s.


Espero sinceramente que o Paulo César Araújo consiga destalingar a venda do livro dele, e que possa mandar o Mr Braga se foder.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Porque eu não vou votar no Cristo.


Porque é ridículo a gente viver mendigando uma migalhinha de papel no script do primeiro mundo.
Acho os cariocas meio chatos e o sotaque um porre completo, mas isso não tem a menor relevância na minha argumentação.
Tá bom que eu tô puuuta até hoje com aquele show gratuito na praia de Copacabana pra ver os Stones, enquanto a paulistada morria com R$250,00 por cabeça pra ver o U2. Não é questão de qual banda é mais bacana, nem mais relevante, mas essa piadinha de um trabalha e o outro fica na praia, pra mim, já deu...


Voltando ao que interessa, alguém vai ter a santa cara de pau de querer equiparar o Cristo Redentor com o Colosso de Rhodes? Ou com a Muralha da China?
O Brasil (e os brasileiros) tem que parar de achar o máximo a turistada vir aqui pra pegar menor de idade em Fortaleza ou ver escola de samba (bundas e peitos) ... Enquanto a gente tiver só isso pra oferecer, vai ser isso que a gente vai ter: NADA!

Os brasileiros estão em segundo lugar em precocidade na perda da virgindade, que lindo...

Eu nem sei mais o que eu quero que o Brasil seja, mas sei exatamente o que eu quero que NÃO seja.


Ninguém varre a calçada, ninguém cuida do patrimônio público, ninguém recolhe merda do cachoro na rua, ninguém ensina criança a ter ética e querem que o mundo olhe pra gente de braços abertos sobre a Guanabara?
Francamente...

Pra quem não sabe as maravilhas do mundo são essas aqui:
1.1 Pirâmides de Gizé
1.2 Jardins Suspensos da Babilónia
1.3 Estátua de Zeus em Olímpia
1.4 Templo de Ártemis em Éfeso
1.5 Mausoléu de Halicarnasso
1.6 Colosso de Rodes
1.7 Farol de Alexandria

Agora, inventaram de escolher mais sete, e temos 21 possibilidades:
Acrópole - Atenas, Grécia;
Alhambra - Granada, Espanha;
Angkor - Camboja;
Basílica de Santa Sofia - Istambul, Turquia;
Castelo de Neuschwanstein - Füssen, Alemanha;
Chichén Itzá - Yucatan, México;
Coliseu - Roma, Itália;
Cristo Redentor - Rio de Janeiro, Brasil;
Estátua da Liberdade - Nova York, Estados Unidos da América;
Estátuas da Ilha de Páscoa - Ilha de Páscoa, Chile;
Grande Muralha da China - China;
Kremlin - Moscou, Rússia;
Machu Picchu - Peru;
Ópera de Sydney - Austrália;
Petra - Jordânia;
Pirâmides de Gizé* - Egito;
Stonehenge - Amesbury, Reino Unido;
Taj Mahal - Agra, Índia';
Templo Kiyomizu-dera - Kyoto, Japão;
Timbuktu - Mali;
Torre Eiffel - Paris, França.

O tal concurso acaba sexta e o resultado sai no sábado (e acaba enfim essa papagaiada).

terça-feira, 3 de julho de 2007

O morro das balas uivantes.

Nunca tive problemas com a exposição.
Eu sempre gostei de aparecer.
Me falta crítica o bastante pra gostar de contar cada uma das idéias de minhoca que assolam minha cabeça.
Meu marido e minha irmã tentam me proteger dos meus próprios arroubos. São dois amores.
Mas não adianta.
Não tenho pretensões de isenção jornalística e acho isso um saco. Blog, pra mim, é de caráter pessoal, é o meu filtro, meu palpite e onde eu posso exagerar, colorir ou desbotar o quanto me agrade.
Falo o que faço e o que penso, acho que é assim que deve ser.
Eu falo, depois aguento. Nunca reclamei.

Enfim, o Lula agora vai colocar um teleférico no morro do alemão.
Que lindo. Será que os traficantes aqui de São Paulo vão pagar meia entrada?
É o caralho.
E a Rede Globo está escandalizada com um livro de geografia pra crianças que aponta, no complexo do alemão, onde as facções criminosas estão sediadas.
Pode ter favela dominada por traficante.
Pode morrer gente na linha vermelha todo o santo dia, o fingerless pode colocar teleférico, bandinha e carrinho de pipoca.
O que não pode é mostrar pros alunos em sala de aula.

As crianças do morro do alemão tiveram suas redações publicadas na Folha de São Paulo de ontem, e a intimidade com a violência, com a morte, com as armas e com o medo era assutadoramente trivial.
Mas elas podem viver isso, as outras é que não podem saber disso.

Uma menina européia salvou a família do Tsunami, porque identificou os sinais prévios da catástrofe (que tinha aprendido na escola) a tempo.
As crianças cariocas não poderão salvar ninguém, porque nosso Tsunami está embaixo do tapete.

Nesse final de semana morreram sete no Morro do Piolho, aqui na Serra (mas sete não deve justificar um teleférico, será que a gente não merecia pelo menos uma cabra enfeitada puxando uma charrete?).

Eu tenho uma raiva danada dessa postura de não ter vergonha de fazer, mas de ouvir que fez.
Eu sempre falo isso: se fez, agora agüente o falatório.
Nosso Governo não faz e não quer falatório.
Pu-ta que Pa-riu.
Eu não aguento essas coisas.

domingo, 1 de julho de 2007

Wondering.


Andei trabalhando tanto, tão atrapalhada e na correria, que me perdi com o tempo livre recém adquirido no final da semana passada!
A Divina Providência já me arrumou coisas novas pra fazer até ir pra Campos, melhor assim...

Encontrei alguns amigos, cozinhei (fiz toneladas de molho de tomates com manjericão) namorei, tive o sublime e maravilhoso encontro das mosqueteiras e passei o resto do tempo na cama paparicando um marido entupido (e mimado). A vida vai muito bem, obrigada!


Hoje uma amiga chamada Claudia Wonder, mandou um link da amostra do documentário "Meu amigo Claudia" que está sendo feito sobre ela.
Claudia, segundo ela, não é homem ou mulher. Ela é homem e mulher. Um casal que vive em harmonia!
Ela canta e manda muito bem, na vanguarda da cultura paulista desde nossos primórdios no Madame Satã. Numa época em que as Draggs dominam pelo over, e os trans dublam Divas; Claudia tem o seu espaço, e seu próprio aplauso.
A última vez que nos vimos foi no Puri com o Heitor Werneck, numa noite fria de rachar... Eu tomava chá e ela ria muito da minha caretice etílica (sou incapaz de beber, não gosto e não aguento).
Ela é imagem da elegância e educação, é pra matar a gente de orgulho.
E eu fico aqui pensando que essa vida sem descanso de conquistar (além do básico que nós mortais somos obrigados a conquistar) respeito e tratamento digno, deve ser foda, já pensou?

Hoje na Folha, uma menina de 16 anos de nome James, grávida de dois meses, conta que não consegue fazer o pré natal, porque James é nome de homem.
É de matar.

Sempre que eu acho que tá meio difícil, penso em gente melhor que eu (como a Claudia), que faz muito mais coisa, resmunga muito menos e mata um leão (e milhares de antas e jumentos) por dia (há bastante tempo) e still Wonder.




Ah, a Reco (minha ama e senhora) me sugeriu que responda aos comentários abaixo dos mesmos.Obediente que sou, o farei a partir de então!

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Sobre o saber desprovido de função.


Já contei que eu faço coleção de dicionários?
Pois faço.
Tenho de mitologia, de citações, de símbolos... até de suicidas ilustres!
Pra português tenho uns bem bons, mas como sou pragmática, sigo o padrão Houaiss pra tudo.
Tava aqui dando uma olhada no de citações, leve como uma pluma (como se isso fosse minimamente possível pra alguém que acumulou diversas arrobas nos últimos 15 anos) após dar fim a um entrevero infanto juvenil que ajudei a protagonizar.
Procurava uma citação bacana pra hoje e dei de cara com uma das maiores bobagens que já li na vida:

“Um sábio não costuma ficar contente quando lhe acontece algo agradável, nem perturbar-se quando lhe acontece algo desagradável”

É um trecho do Bhagavad Gita (obra indiana super conceituada pelos budistas e venerada como escritura sagrada pelos brâhmanes).

Agora (como dizia o Grê quando pequeno, no alto de sua indignação) me perguntem: dá pra ser mais idiota?
Eu prefiro passar a vida tomando sorvete pela testa a ficar assim sábia.
Esse viés acima do bem e do mal é tão ridículo, que dispensa comentários.
Melhor ser falível, mudar de idéia, confessar pecados e viver feliz da vida sem o peso dos erros nem dessa sabedoria maluca que ninguém (que não tenha uma prescrição tarja preta no criado mudo) quer.

E viva os sentimentos disparatados e a liberdade de errar e consertar e andar com a fila.

Palavra chave: Ufa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Sobre a importância de mandar tomar no cu.


Como prometido:

Eu sempre achei que cu devia ter acento (sem tocadilhos).
Cú parece muito mais com cú do cu, enfim...

A peça “Se piorar estraga” estreou na terça no teatro do Shopping Frei Caneca (que é um puuuta teatro por sinal). A Claudinha Urbaniski que é uma fofa completa e a melhor atriz que existe, além iluminadora tarimbadérrima (só não digo que é a maior, que ela é tão pequenininha...), garante ingressos pras estréias bacanas.
A peça é boa.
Sem grandes pretenções, Cris Nicoloti (que nós cansamos de ver vendendo de tudo no Shop Tour) manda bem num quase monólogo que culmina com a canção fenômeno do Youtube.
A direção é da Fafi Siqueira (que tava sentada do meu lado e ficou tendo chiliques de diretora em noite estréia o tempo todo) relevemos...

Mas o bacana é o recado.
Mandar tomar no cu, realmente é uma libertação.
Quando você está de saco cheio, ou no ápice da indignação, mande tomar no cu!
Além de despachar o Exú que tá no seu pé, também anda com a fila.
Tem um viés de “chega, não quero mais”, no vai tomar no cú.
Perdoar um desafeto liberta, e a boa educação e o catolicismo recomendam.
Mas esta que vos fala, (que embora freqüente a missa every single sunday e seja chapíssima dos padres, é uma pecadora confessa – ai outro trocadilho) diz que um vai tomar no cu bem mandado faz um bem enorme (aí depois você perdoa e todo mundo fica contente).

Elevemos nossas preces à Santa Paciência e:
O marido tá estressadinho? Vá tomar no cu.
A filha perdeu o terceiro celular com câmera em dois meses? Vá tomar no cu.
O professor te deixou de exame por uma merreca? Vá tomar no cu.
A visita chegou pro jantar (marcado pras oito) dez horas da noite? Vá tomar no cu.
A doida largada pelo teu amigo fica mandando scrap pra ele na tua página? Vá tomar no cu.
O governo tá cobrindo de fumaça cênica a apuração do escândalo do Renan Calheiros? Vá tomar no cu.
A empregada quebrou (outra) cerâmica que vc pintou? Vá tomar no cu.
O Itaú inventa taxa de saque em dia de chuva? Vá tomar no cu.

Seu jeans encolheu durante o final de semana e tá injustamente apertado?Vá tomar no cu.

Eu te encho o saco? Vá tomar no cu.

Faz um beeeem pra pele... capaz de botar um potão de Dior Prestige Cure Intense no chinelo!
Acreditem usem e recomendem!
Não gostaram do texto?
Vão tomar no cu!!!!!!!