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Abominável Mundo Novo.

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Quando eu estava no primeiro colegial no Rio Branco, ganhei uma bolsa (em algum concurso de redação, ou de palpite na vida dos outros – minhas atividades favoritas) pra um Kibutz em Israel. Quase morri de felicidade, mas acabei não indo por conta do pavor que minha mãe tinha dos “boatos de terrorismo” que foram apenas boatos, por pouquíssimo tempo... Tinha acabado de ler um livro sobre o socialismo e achava tudo aquilo maravilhoso. Até porque, como etapa anterior do comunismo, o socialismo tinha mesmo essa função sedutora (que cumpria muitíssimo bem). Um Kibutz, pra mim era o máximo da perfeição. Não havia ideal mais bem concretizado que crianças crescendo juntas, mulheres trabalhando juntas, homens fortes e serenos dispostos ao esforço físico e intelectual. Todos valendo a mesmíssima coisa, todos igualmente valorizados, sem propriedades, sem imperialismo blá blá blá. Meus amigos que foram, mandavam aquelas fotos típicas deles colhendo laranjas... Até hoje me pego sonhando em viver num...

Vede o pé do Ypê...

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Não é a primeira vez que eu sento aqui pra escrever sobre uma coisa e escrevo sobre outra completamente diversa. Tencionava escrever sobre o quanto eu gosto de rever alguns filmes e seriados pela sensação nostálgica, pela memória contextual que a gente revive, mas fui atropelada por uma música maravilhosa. Tava aqui agradecendo aos deuses pelo frio úmido e maravilhoso deste começo de noite, e lendo a coluna do Matthew Shirts de hoje. Na coluna, (sobre um percurso de ônibus) ele cita preciosidades dos anos 80, e entre elas um romance do Reinaldo Moraes chamado Tanto Faz . Na hora eu lembrei desse livro, e fui procurar, morrendo de medo de ter emprestado pra algum amigo que não me tivesse devolvido. Mas tava lá (ainda bem que eu não emprestei pra ninguém, vivo perdendo livros que empresto). Enfim, abri o livro (que foi comprado em 1983, na extinta Livraria do Bexiga – que ficava na esquina com o Café Soçaite) e dei de cara com um verso que escrevi na primeira página, de uma canção do Bel...

Perversidades, literatura e devaneios

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Muito trabalho. Trabalho pra caralho. Pelo menos meu pé deu uma trégua. A Pat me escreveu dizendo que gota era a doença dos reis. Essa mulher impossível consegue ver alguma coisa boa até nessa gota infernal, ela é o máximo! No meio da trabalheira infernal de hoje ainda tive que apagar hoooras de um incêndio idiota que aconteceu na minha ausência com meu grupo de trabalho na faculdade. Ai que saco, como se a gente não tivesse um mundo de coisas pra fazer e a oposição não desse trabalho o suficiente, ainda tem quem resolva rachar o que até então dava muito certo. Certo até demais pelo visto. Tá bom que são todos novos, mas é de matar. Eu tenho uma paciência inacreditável, mas não vou agüentar outra dessas. Eu não posso fazer nada com quem simplesmente não aprendeu a se relacionar. Eu agüento um pouco, depois canso. Como diria uma amiga minha, isso é pura falta de um bom tanque de roupa pra lavar. Eu tenho o meu, lavo a roupa e minhas mãos... Comprei dois livros, um pra faculdade e outro ...

Vascolejando o léxico.

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Palavras. A fonte maior. Não fossem elas, e a arte de usar cada uma em um devido lugar e ordem, que graça teria a gente se meter a escrever? Mas há algumas que a gente não pode mais usar. Um autor nosso, mandou um original pra eu revisar, cheio de entidades . Tive que substituir cada uma e mandar uma ressalva ao coitado, pedindo pra esquecer as ditas cujas. Entidade perdeu completamente o significado de pessoa jurídica e de qualidade excepcional, para virar santo baixado em alguma coisa ou alguém. As entidades , antes conceituadas, agora estão condenadas às mesas brancas e terreiros em geral. Irmão e irmã (irmãozinho e irmãzinha) , viraram propriedade dos evangélicos, que se apropriaram não só da palavra mas do sentido. Usurparam até o termo Senhor Jesus ; que hoje remonta diretamente às chatas de saias azul marinho que tentam fazer lavagem cerebral de porta em porta. Ai que raiva. Graças ás legendas e dublagens mal traduzidas, vadiar virou prostituir-se. Minha bisavó tinha uma arara...

Páginas de um livro bom.

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Ai a juventude. Eu vivo me surpreendendo, me decepcionando e me encantando com ela. Tem umas coitadinhas que leêm meus arroubos anti babacas juvenis e depois postam graaaandes novidades em seus bloguinhos como se tivessem descoberto a américa. Mas tem as que me encantam. Duas especialmente: a Isa (filha emprestada da Reco) e a Fá (minha sobrinha amada, idolatrada, salve salve)! A Isa foi pra Londres e está apanhando das linhas de ônibus e dos horários do metrô, em contrapartida, já aprendeu a lavar roupa e tá se virando que é uma coisa. A Fá entrou na faculdade em Maringá e está lá sozinha, com sua graninha e seu carro novo! Tão decidida, tão doce, tão forte e tão bebê... tudo ao mesmo tempo. Eu fico aqui pensando o quanto é velha, batida e fora de moda essa conversa de querer a expectativa de vida e as oportunidades da juventude com nossa cabeça madura! Mas que dá vontade, ai isso dá mesmo! Imaginem poder recomeçar, poder escolher de novo, ter outra chance... Hoje um amigo que há qu...

He is still in the building!

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A gente sempre lembra onde estava quando recebeu uma notícia importante. Eu estava saindo de casa pra aula de ginástica de solo, e cheguei no clube com a bomba: O Elvis morreu! Pra ser sincera, nem sei quando eu ouvi ou quem gostava do Elvis na minha casa (meus pais eram meio aliens, viviam um pro outro de uma maneira tão maluca que em casa não teve Golpe Militar, nem Festivais, nem Elvis, MDB ou Arena, só os dois... ah e o Roberto Carlos - numa dose tão massacrante que eu não consigo ver graça nele até hoje); mas eu gostava muuuuito. A primeira vez que fui ao cinema sem adultos junto, foi pra ver Elvis não morreu com a Vitória! O cinema tava vazio e nós choramos abraçadas na hora da morte da mãe dele no filme. O homem era uma delícia! Imaginem que naquela época, sem TV, sem porra nenhuma em termos de divulgação de massa, ele foi quem foi, cantando música de negros (que sentavam nos bancos de trás dos ônibus), com aquele rebolado impossível e sem nunca ter feito um único show fora dos ...

Bonequinha sem teto.

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Tem coisa mais bacana que filme do começo da década de 60, rodado em Nova Iorque? Eu vejo Bonequinha de Luxo e Descalços no Parque milhares de milhões de vezes e adoro cada vez mais. Aquela felicidade urgente das protagonistas, aquele descompromisso e o machismo maravilhoso implícito em “elas são doidinhas, vivem no mundo delas e nós pagamos as contas e resolvemos os problemas, baby”. Ai quem me dera... Eu conheço mulheres que fazem questão de peitar a quebradeira das ondas, eu sou capaz disso, mas prefiro que um príncipe inteligente e gentil faça isso por mim. Que pegue fila no banco, que me defenda dos perigos desse mundo, e que passe a mão na minha cabeça (de vento) e diga que “já passou”! Nem de dirigir eu gosto. Adooro ir esparramada no banco do co-piloto, olhando as casas, os jardins e falando pelos cotovelos, sem ter que prestar atenção à coisas menores como caminho, trânsito e farol. Podia nunca me preocupar em saber quanto foi a conta do restaurante. Isso não faria a menor ...