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Belerofonte (os piores nomes da mitologia, certamente, são os desta postagem)

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  Filho de Poseidon, e adotado por Glauco, B. fazia parte da família real do Corinto, até o dia em que, acidentalmente, ele mata o tirano da cidade. Para se purificar, era preciso a benção do rei de uma cidade próxima e ele foi a Trezena procurar o rei Preto. Numa história suuper Fedra, a esposa de Preto caiu de amores por B., que a recusou e ela, ressentida (eu falo que amor ignorado é a pior desgraça que tem...) foi dizer ao marido que o rapaz tinha tentado seduzi-la. Uma das leis mais respeitadas naquela época era a que regia a hospitalidade (até Zeus respeitava) e ele achou melhor mandar o sogro matar o assediador. Sem dizer nada a B., mandou-o ao sogro (ainda atrás da bendita purificação) e junto mandou uma carta pedindo que Iobates (seu sogro), rei da Lícia, matasse B. assim que ele chegasse na cidade. Mas Iobates também respeitava as leis da hospitalidade e preferiu mandar o visitante cumprir tarefas das quais ele certamente não sairia vivo. Matar a Quimera era uma delas, mas el

Wuthering Heights. Entre o perfume e a permanência

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  Li “O morro dos ventos Uivantes” quando era bem novinha. Dei um exemplar pra Sophia na adolescência, mas ela não achou muita graça. É um puta livro, mas não é o meu preferido desse gênero (eu sempre gostei mais dos livros da Charlotte). Mas eu sempre lembro de uma passagem onde a Catherine fala sobre o amor que ela sentia pelo Heathcliff e pelo Edgard. Pra quem não leu ou tá com a memória piscando, a grosso modo: o Heathcliff foi criado com ela, era um cara meio selvagem, instintivo e pobretão (mas sempre foi o amor da vida dela). O Edgar era o vizinho riiiico, educado e polido. Ela era louca pelo Heathcliff, mas se casou com o Edgar. Claro que depois de casada ela passa a se perguntar se fez a escolha certa optando pela segurança em detrimento do amor, mas os tempos eram outros e não tinha como voltar atrás. Pensando nisso tudo, ela fala que há dois tipos de amor: um que funciona como as raízes de uma árvore, garantem que ela viva, são responsáveis pela permanência dela no

Prometeu, Pandora e quando a esperança vira uma roubada

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  Eu já contei a história do Prometeu acorrentado aqui antes, mas quero falar outra coisa, de outro recorte (pra dar uma pegada mais acadêmica...haha). Prometeu foi castigado por ter entregado aos homens o segredo do Fogo (que devia ficar restrito aos deuses). O Fogo traz, em si a técnica. A técnica é a vantagem suprema que faz com que homens sejam superiores aos animais, aos outros homens e através do fogo foi dado o start geral no aprimoramento da categoria. A técnica aproxima os homens de Deus, que – em sua arrogância- esquecem sua condição mortal e saem arriscando e cometendo hybris (que eu também já expliquei aqui). Bom, lá se foi Prometeu pro Monte Cáucaso servir o próprio fígado de aperitivo noturno eterno a um abutre sem restrições alimentares... Esse foi o castigo reservado a um deus que traiu o Olimpo. Mas a humanidade também foi castigada com Pandora e a bendita caixa com os males do mundo. Na caixa, a guerra, a peste, os vícios, a mentira, a velhice, o trabalho (Pandora

FEDRA

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De novo lembrando que as histórias têm versões. Esta, principalmente tem uma de pegada mais estóica e outra mitológica raiz. Sigo na que me agrada... Afrodite (mantendo a tradição de Deusas ressentidas e vingativas) se apaixonou por Hipólito (que era filho de Teseu com uma amazona). Mas o cara havia feito um voto de passar a vida dedicado ao culto da natureza e nunca havia de perder tempo se envolvendo emocional ou sexualmente com ninguém (inaugurando o isolamento social grego). Furiosa, ela faz com que a madrasta de Hipólito, Fedra, se apaixonasse loucamente por ele (o loucamente, aqui, não é nenhuma figura de linguagem). Fedra não se aguenta de amor (e um razoável fogo na periquita, já que Teseu era um cara beeem ocupado e vivia fora de casa) e vai pra cima do enteado. Hipólito a rejeita de cara e ela (que não era Deusa, mas estava ressentida e quis se vingar), vai até Teseu e diz que Hipólito a atacou. Teseu fica doido (ela era uma posse dele, e para ele isso era muito mais importan

Páris

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  Filho do Rei Príamo e Hécuba, que, ainda grávida, sonhou que paria uma tocha em chamas que incendiavam Tróia. Príamo consultou um vidente pra saber o significado do sonho, que era claro: a criança seria a ruína de Tróia. Ele decide matar o bebê logo que nasceu, mas Hécuba pediu que ele fosse abandonado na floresta (ah, o amor materno...). Todo mundo tocou a vida e ele cresceu criado pelos pastores do Monte Ida, sendo chamado de Alexandre. Uma de suas maiores diversões era promover brigas entre touros, e um deles ganhava todas. Um belo dia, aparecem no Monte, alguns empregados de Príamo procurando um touro campeão que seria o prêmio dos jogos fúnebres em memória do filho morto do Rei (ele mesmo) e confiscam o touro. Páris, sem saber de nada, é claro, decide participar de seus próprios jogos fúnebres pra vencer e trazer o touro de volta. Ele vence todas as provas, derrotando o príncipe Délfobo (seu irmão), que fica furioso por ter perdido (e cheeeeio de espírito

Pigmalião

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Certamente era um esquisitão (e mais um daqueles chatos, filhinhos da mamãe)... O cara era Rei de Chipre e tinha decidido ficar solteiro por estar “profundamente decepcionado” com o comportamento geral da mulherada. E então, a pessoa resolve esculpir a mulher perfeita. Dá a ela o nome de Galatéia e (como era de se esperar pra alguém com esse tipo de comportamento doido) se apaixona profunda e perdidamente pela estátua. Passa os dias admirando a beleza dela, imaginando, sonhando e suspirando pela imagem. Decidido a sair do abstrato pro concreto, ele implora a Afrodite que lhe consiga uma mulher exatamente como Galatéia. Afrodite acha mais fácil dar vida à estátua, que vira a perfeitinha do Pigmalião, e ele acaba se casando com ela, tendo filhos e sendo feliz (pois é...). O efeito Pigmalião é estudado, é o que a expectativa causa no outro. Dois psicólogos americanos Rosenthal e Jacobson estudaram a alteração do comportamento e resultados de alunos especial e precocemente bem avaliados pe

A espada de Dâmocles

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  A espada de Dâmocles Não é mitologia, é história antiga, mas muuuito pertinente. Dionísio (e por isso muita gente acha que essa história é coisa da mitologia) era o rei de Siracusa. O cara era um sanguinário, um tirano miserável. Como todos os poderosos, vivia rodeado de puxa sacos (e Deus sabe como esse povo acostuma depressa com esse tipo de gente bajuladora horrorosa, e passam a depender deles. Ah, a vaidade humana... enfim, já falamos disso.) O fato é que tinha um cara chamado Dâmocles que era tão, mas tão puxa saco, tão invejoso (certamente devia mandar aquele emoji medonho de “aplauso” em todas as postagens do Dionísio nos grupos), que um dia, de tanto ele falar o quanto a vida do Dionísio era perfeita e maravilhosa, Dionísio se cansou e propôs que Dâmocles trocasse de lugar com ele por uma noite, de forma que ele pudesse desfrutar de tu-do o que cercava o universo de Dionísio. Muita comida, muito luxo, muitas mulheres... o puxa saco estava realmente se sentindo o má-xi-mo quan