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He is still in the building!

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A gente sempre lembra onde estava quando recebeu uma notícia importante. Eu estava saindo de casa pra aula de ginástica de solo, e cheguei no clube com a bomba: O Elvis morreu! Pra ser sincera, nem sei quando eu ouvi ou quem gostava do Elvis na minha casa (meus pais eram meio aliens, viviam um pro outro de uma maneira tão maluca que em casa não teve Golpe Militar, nem Festivais, nem Elvis, MDB ou Arena, só os dois... ah e o Roberto Carlos - numa dose tão massacrante que eu não consigo ver graça nele até hoje); mas eu gostava muuuuito. A primeira vez que fui ao cinema sem adultos junto, foi pra ver Elvis não morreu com a Vitória! O cinema tava vazio e nós choramos abraçadas na hora da morte da mãe dele no filme. O homem era uma delícia! Imaginem que naquela época, sem TV, sem porra nenhuma em termos de divulgação de massa, ele foi quem foi, cantando música de negros (que sentavam nos bancos de trás dos ônibus), com aquele rebolado impossível e sem nunca ter feito um único show fora dos ...

Bonequinha sem teto.

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Tem coisa mais bacana que filme do começo da década de 60, rodado em Nova Iorque? Eu vejo Bonequinha de Luxo e Descalços no Parque milhares de milhões de vezes e adoro cada vez mais. Aquela felicidade urgente das protagonistas, aquele descompromisso e o machismo maravilhoso implícito em “elas são doidinhas, vivem no mundo delas e nós pagamos as contas e resolvemos os problemas, baby”. Ai quem me dera... Eu conheço mulheres que fazem questão de peitar a quebradeira das ondas, eu sou capaz disso, mas prefiro que um príncipe inteligente e gentil faça isso por mim. Que pegue fila no banco, que me defenda dos perigos desse mundo, e que passe a mão na minha cabeça (de vento) e diga que “já passou”! Nem de dirigir eu gosto. Adooro ir esparramada no banco do co-piloto, olhando as casas, os jardins e falando pelos cotovelos, sem ter que prestar atenção à coisas menores como caminho, trânsito e farol. Podia nunca me preocupar em saber quanto foi a conta do restaurante. Isso não faria a menor ...

Janelas.

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Eu sempre precisei olhar pra alguma coisa bacana. Não preciso de luxo, mas de umas plantinhas pra me refrescarem o espírito. Da janela do meu quarto, vejo a árvore que um passarinho plantou na frente de casa há uns quinze anos e está enorme... se os gatos não estão na floreira, vez ou outra aparece um esquilo ou uma coruja. Uma vez acordei com um passarinho pousado no travesseiro do Caio (que já tinha levantado). Tomei um puuuuta susto (imaginem o passarinho...). No escritório de casa, onde eu passo a maior parte do meu tempo, tenho uma porta de vidro que dá pro corredor do quintal, e um monte de plantas. Como adoro chuva, tenho uma nuvem com pingos pendurada ao lado da tela do computador. Venho trabalhar, abro a porta e já fico feliz da vida. Ai como eu me contento com pouco... mas é assim mesmo. Tenho a mesma sensação de alegria e leveza sempre que chego na faculdade. Parece coisa de gente louca, mas é tudo tão tranqüilo, os professores tão queridos e meus amigos tão perfeitos, que v...

Susuca.

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Ela é a menina mais bonita do mundo inteiro. Foi o bebê mais perguntador e com mais dobrinhas que eu já vi. Foi o começo do fim da minha existência hedonista e self centrada. A força do espírito feminino se mostra a cada vez que essa fadona japonesa senta do meu lado pra conversar. E ela conversa, ela canta, ela conta do menino da escola que ela adora (e ele tem só dez anos a menos que ela), se atrapalha e se desatrapalha. Ela faz as caretas mais lindas do mundo e é a criatura mais doce que existe. Ela tá quase indo pra faculdade e dorme com o rosto sobre as mãos, como uma criança. Quer ir morar sozinha, e quer dormir na minha cama. Ela só me chama de mamãe. E eu quero a felicidade dela com tanta força que me falta o ar. Quero que as amigas sejam irmãs (já que eu não arrumei uma irmã pra ela, mas compensei com uma prima perfeita). Que o irmão seja amigo. E que o Ringo nunca mais morra pra ela não sofrer. Quero que ela ria e consiga. Quero que ela consiga e conquiste. Quero ela sempre ...

Apapú.

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Lançaram o tal Cansei . Reclamaram da elite do Cansei e do que poderia estar por trás dessa iniciativa. Melhor abafar. Neste país organizado e cheio de gente que levanta a bunda da cadeira pra reclamar das coisas, a gente tá mesmo podendo esnobar mobilizações sociais de protesto. Eu não sei como funciona com a cabeça dos outros, mas na minha, se a água usada pra apagar o imenso incêndio brasileiro veio da piscina do Lalau, ou do filtro do Dalai Lama, não faz diferença. A gente apaga a porra do incêndio e depois apura de onde veio a tal água e cuida de onde virão as seguintes. A coisa tá preta demais, foi longe demais é muito fogo. A gente não tá em condição de esnobar nenhuma iniciativa. Eu apoio até escoteiro na rua com um pequinês na coleira reclamando do estado em que chegamos. Mas aparece um babaca dizendo que trabalhador não pode se dar ao luxo de cansar, que pobre não cansa... Cansa sim, meu bem. Mas por conta desse pensamento de "ter coisa mais importante pra fazer" é ...

Vivendo e aprendendo a jogar.

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Eu tive um namorado que foi hiper determinante na pessoa que aprendi a ser, que cunhei... Metida que sou, com 15 anos resolvi namorar esse fulano que tinha 23, estava na segunda faculdade e era o cara mais sabido que eu já tinha visto na vida... E ele era daqueles que te levava junto, mas não ficava esperando muito não. Eu me matava nas braçadas pra acompanhar o ritmo dele e sem perceber, acabei aprendendo a andar por conta prórpia. Isso é uma coisa que eu nunca vou esquecer. Ele aparecia com Porcos com Asas (isso em 1980), com VHS's do Fassbinder e do Bergman e eu tinha que dar conta de absorver e "entender" tudo. Sem trégua. Era foda, mas foi isso que me salvou de ser medíocre como era o plano inicial... Mesmo ele tendo se revelado um bobão sem coragem pra vida real, que acabou ficando pra trás, o mérito é todo dele. Agora o Bergman morreu e eu achei a única coisa que guardei desse namoro, minhas cópias de Fanny e Alexandre. Esse filme é auto biográfico e é um retrato f...

Saneamento já!

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Voltei!!!! Descansei, fui pra casa da minha irmã (que sapateia soberana no meu coração de pedra) namorei passeei, inverti os móveis do salão, troquei a Net pela Sky, pintei uma parede de casa, li e foi tudo! Depois eu verso sobre Campos, sobre o frio, sobre aviões que são derrubados pela incompetência de quem deveria cuidar que eles voassem, e sobre tudo o mais... Fui no cinema ver Saneamento Básico, esperando um filminho bacana, e saí do cinena pasma com tanta bacanura! Sim, meus caros, existe Brasil sem carioquês, sem armas, sem favela e sem sotaques nordestinos. Existe um Brasil simples, onde não faz um puuuta sol e não tem praia. Dá pra sair do eixo obrigatório: pau a pique nordestino, calçadão carioca & trânsito paulistano. Existe um Brasil europeu. Um Brasil lindo de morrer. Eu, que tava de saco cheio de Pan e de “bem amigos” e aquele ranço patriótico wanna be Copa do Mundo... (ai que fiasco) morri de orgulho!!! O Jorge Furtado que fez o filme (depois do Homem que Copiava- q...